A Restauração de Corais se Expande Internacionalmente




Um frade (Pomacanthus paru) nada em meio a corais chifre-de-veado recentemente transplantados pela Coral Restoration Foundation.

Em dezembro de 2010 eu embarquei com um grupo da Coral Restoration Foundation [Fundação para Restauração dos Corais] (CRF). Eu havia me oferecido para fotografar um de seus seminários de coleta de corais no berçário de corais-chifre-de-veado e introdução dos jovens corais no Recife Molasses.

Naquela época as técnicas do presidente da CRF, Ken Nedimyer, estavam mudando e progredindo rapidamente. Ele havia recentemente mudado a tática de colocar fragmentos de corais em pedestais individuais para pendura-los em linhas. As "árvores" de corais (corais suspensos em estruturas semelhantes a árvores), que são a norma atualmente nos berçários de corais, estavam sendo testados na época.

De tempos em tempos algumas coisas incentivam pessoas especiais a se superarem e perseguirem incessantemente um caminho para a grandeza, mesmo que elas não consigam compreender todo o impacto de suas ações no momento. Eu acredito que Nedimyer seja uma dessas pessoas. Eu senti isso no primeiro dia em que trabalhei como voluntário. Antes que ele termine seu trabalho, tenho certeza de que toda a comunidade preocupada com o oceano irá conhecer Nedimyer e a CRF. O trabalho que eles estão fazendo é tão importante assim, e elevar a conscientização das condições deteriorantes dos recifes de corais no mundo é uma das principais prioridades na lista de conservacionistas de oceanos em todo o mundo. A beleza dessa organização é que você pode se envolver como mergulhador e transplantar corais para ajudar a CRF a fazer a diferença.


Corais chifre-de-veado são cultivados em uma “árvore” de PVC, onde eles irão crescer até que possam ser transportados, e então transplantados para o recife de coral com sucesso.

A CRF tem berçários cheios de corais e grandes planos. Nedimyer, a equipe e vários voluntários reiteraram esse ponto recentemente em um evento da Ocean Reef Conservation Association (Associação para Conservação dos Recifes dos Oceanos) em Key Largo, na Flórida, onde se situa a CRF. Eles transferiram os primeiros corais cultivados no berçário da Ocean Reef para o Recife Carysfort, e eu tive o prazer de participar. Eu também tive o privilégio de estar a bordo quando eles introduziram, no Recife Molasses, os primeiros corais chifre-de-alce cultivados. A CRF está fazendo grandes progressos.

As técnicas comprovadas da organização são facilmente exportáveis para outras comunidades dependentes dos recifes ao redor do mundo. Há muito mais envolvido nos esforços de restauração do que os berçários; a identificação de linhagens genéticas resilientes é uma das chaves para o sucesso. O objetivo da CRF é cultivar as linhagens sobreviventes coletadas em áreas degradadas e cultivá-las. Replantá-las no recife é um dos passos críticos na transição do recife de volta a um estado de ecossistema produtivo. Uma vez que o coral é transplantado, cresce, se reproduz e expande, as relações de construção do ecossistema começam a se manifestar. A restauração do coral é o pivô da recriação de um ecossistema.



A CRF atualmente possui berçários em Bonaire e na Colômbia, e seis outras ilhas nações estão em diferentes estágios de preparação para se juntarem ao grupo em um futuro próximo. Mike Echevarria, presidente do conselho de administração da CRF, diz que a organização está recebendo novas consultas da comunidade internacional todas as semanas. Ao reconhecer a demanda para o cultivo de corais, a CRF criou uma nova entidade para a expansão internacional chamada Coral Restoration Foundation International [Fundação Internacional para Restauração dos Corais] (CRFI). A Coral Restoration Foundation Europe [Fundação para Restauração dos Corais Europa, uma organização filantrópica baseada em Londres sob a direção de Peter Raines, foi formada para apoiar à CRFI e seus projetos. Juntos eles têm projetos para o Pacífico e Ásia e têm sido consultados pelo Oriente Médio também.

A CRF está refinando suas comprovadas técnicas e criando uma solução completa para ser implementada em outros locais. Echevarria acredita que eles tenham potencial para estar em 25 países dentro de cinco anos, uma vez que eles terminem os ajustes finais da solução.


Denise Nedimyer observa a liberação de gametas de corais chifre-de-veado coletados do berçário da Coral Restoration Foundation.

O caminho para um berçário ativo funciona mais ou menos assim: assim que a CRF recebe um pedido, a organização que fez o pedido trabalha com a CRF para estabelecer uma base de colaboradores que inclui operadoras de mergulho, a indústria de turismo, agências governamentais locais ou nacionais e a comunidade cientifica. A criação de uma organização sem fins lucrativos composta pelas partes interessadas é o passo seguinte, o que leva ao planejamento, obtenção de licenças e vários outros detalhes logísticos. Echevarria acredita que esse sistema de abordagem da restauração irá fomentar o otimismo e a esperança em comunidades e incutir nas partes interessadas um senso de propriedade.

O objetivo principal é tornar a CRF um centro coordenador para a pesquisa científica de corais, ecoturismo, pedidos de financiamentos para grupos de restauração e arrecadação de fundos para berçários. É um projeto ambicioso, feito sob medida para comunidades individuais de acordo com as necessidades das partes interessadas. E tudo começou com um pequeno pólipo aterrissando na fazenda de rochas vivas de Nedimyer há cerca de uma década.

Os eventos que eu fotografei para a CRF mudaram a minha visão para sempre, e se você tiver a oportunidade de participar de uma viagem de transplante de corais, você mudará a sua também. Venha para as Florida Keys — ou muito em breve para outros lugares ao redor do Caribe — e vivencie isso você também. Para se unir aos esforços, tanto como participante ou como uma parte interessada, visite www.coralrestoration.org.
Reflexões sobre o Recife Carysfort



Por Jerry Greenberg

Jerry Greenberg colocou Key Largo, Flórida, no mapa subaquático com a matéria de capa da National Geographic de 1962, "Key Largo Reef: America's First Undersea Park." ["Recife de Key Largo: O Primeiro Parque Submarino dos Estados Unidos"]. Para compreender a importância do trabalho que a Coral Restoration Foundation está fazendo hoje, é útil conhecer a história recente desses recifes, um tópico que Greenberg conhece bem. Aos 87 anos de idade, ele ainda hoje mergulha ativamente nesses recifes.

Eu comecei a mergulhar em Key Largo em 1949. Naquela época eu fazia pesca submarina com amigos de Miami, vínhamos para as Keys para atirar em garoupas e vermelhos para vender para os restaurantes locais. Tudo o que eu conhecia então era o Recife Molasses, porque era o mais longe que conseguíamos ir a partir da Marina Mandalay em nosso pequeno barco com seu minúsculo motor de popa. Não demorou para que eu me interessasse por fotografia, e eu vi em uma publicação da Leica um artigo do Peter Stackpole sobre suas fotos subaquáticas. Eu tinha a mesma câmera Leica e uma lente de 28 mm, e paguei $150 dólares — o que era muito dinheiro na época — por uma caixa estanque para leva-la para baixo da água.

A maior parte das minhas primeiras fotografias subaquáticas foi feita no extremo sul de Key Largo, onde eu fotografei paredes de salemas. Eu ainda me lembro de quando tirei minha foto icônica de Carl Gage nadando através de um cardume de enxada em 1º de junho de 1960. Eu passei dois meses e meio no projeto para a National Geographic trabalhando próximo ao Recife Molasses, mas algo ainda estava visualmente faltando no quadro. Eu precisava de uma visão mais geral do que era um recife de coral.

Eu me lembro do Recife Carysfort no extremo norte de Key Largo, que era muito distante para chegarmos com meu pequeno barco. As simpáticas pessoas do Ocean Reef Club me proporcionaram um local para trabalhar, o que tornou a viagem para o recife muito mais curta. A partir daí eu redescobri a beleza de South Carysfort, e o quão maravilhosa era. Havia vários campos de corais chifre-de-veado e chifre-de-alce, grandes corais-cérebro-de-boulder e muitos peixes. Eu tirei meus primeiros slides Anscochrome lá e também fiz alguns trabalhos com fotografias panorâmicas com minhas câmeras Rolleimarin, com fotos 2¼-polegadas por 2¼- polegadas que eu juntei manualmente. Uma dessas imagens compostas ocupa a parte de baixo de duas páginas na reportagem da National Geographic. Havia Acropora palmata (coral chifre-de-alce) até onde a vista alcançava, o que naquele dia era bem longe, na verdade.

Muitos daqueles corais não existem mais hoje em dia, vítimas de tempestades, problemas com a qualidade da água e a mortandade dos ouriços-do-mar Diadema antillarum. Mas manchas de novos corais estão voltando, e o trabalho que Ken Nedimyer está fazendo com a CRF no transplante de corais é impressionante. Será que algum dia teremos aqueles vastos campos de Acropora florida novamente? Provavelmente não durante a vida daqueles que estão lendo estas palavras, mas progressos têm sido feitos.
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Coral Restoration Foundation — para a Disney Worldwide Conservation Fund [Fundo para a Conservação Mundial da Disney]

Transplanting Corals to the Reef [Transplantando corais para o Recife] — Coral Restoration Foundation, Bonaire




© Alert Diver — 4º Trimestre 2014

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