O Futuro dos Voos Subaquáticos



Recentemente, numa expedição à ilha de Guadalupe para ver os grandes tubarões brancos, o fotógrafo Amos Nachoum foi chamado por rádio. Quem chamava era Graham Hawkes, um cientista da tecnologia de submersíveis. Ele e o presidente do grupo empresarial Virgin, Richard Branson, estavam por perto testando o novo veículo submersível de Hawkes, o DeepFlight Super Falcon (Super Falcão de Voos Profundos), e gostariam de saber se poderiam acompanhar os grandes tubarões brancos próximos ao barco de onde Nachoum mergulhava. Seria uma experiência um tanto surreal para o grupo na gaiola ver dois célebres exploradores passeando ao lado de tubarões com mais de 4 metros nas águas cristalinas de Guadalupe.

Hawkes descreveu a experiência sob seu ponto de vista no interior do submersível: "Nós estávamos ali para que Richard Branson treinasse a pilotar o Super Falcon, e aqueles eram os primeiros tubarões brancos que tínhamos visto, embora certamente eles não fossem os primeiros a nos ver. Estávamos um pouco apreensivos, sem saber se os tubarões poderiam nos tomar por um tubarão maior e tentar nos desafiar em uma luta territorial. Mas no fim, foi uma tremenda diversão — dois ingleses voando embaixo da água e compartilhando uma paixão pelo espetáculo dos gigantes marinhos em seu ambiente natural."

A excitação quase infantil, causada pelo encontro com as grandes feras graças ao Super Falcon, era óbvia na voz de Hawkes, que descrevia um balé de 3 horas com uma raia manta e, mais tarde, uma furtiva aproximação por baixo dos tubarões martelo ali residentes que costumam ser encontrados nas águas profundas ao largo de Roca Partida, nas Ilhas Socorro. Naquela ocasião, o empresário empreendedor e entusiasta dos mares Tom Perkins compartilhava a segunda cabine e a aventura, eles cortaram o motor e seguiram a deriva em total silêncio na direção do cardume de tubarões.

Avistar grandes animais marinhos naquela zona de crepúsculo (como Hawkes denomina aquela faixa abaixo dos limites do mergulho esportivo que ainda é iluminada pela luz solar) foi uma das principais razões para executarem o projeto do Super Falcão. Outro submersível compacto, o DeepFlight Challenger (Desafiador de Voos Profundos), foi projetado para mergulhar até a profundidade de 11.000 metros da fossa oceânica das Marianas e às profundidades abissais dos outros quatro oceanos do globo — um projeto que está sendo desenvolvido pela Deep Sub LLC em conjunto com a Virgin Oceanic. O Super Falcon incorporou muitas das inovações do protótipo do Challenger, mas também tem flutuabilidade positiva e não depende da carga de chumbo ou tanques de lastro dos submarinos tradicionais para seu controle de profundidade. Hawkes explica que provavelmente a única criatura marinha cuja fisiologia lembra o mecanismo dos submarinos convencionais é o náutilo. As outras criaturas marinhas, como tubarões, raias manta e baleias dependem de suas nadadeiras para o controle de sua propulsão e direção. Da mesma forma, o Super Falcon possui asas e uma hélice para imitar a velocidade, graciosidade e agilidade desses grandes animais.


O Super Falcon pode ser lançado de um reboque e não requer qualquer embarcação de apoio, aumentando dramaticamente suas capacidades operacionais.

A principal vantagem do Super Falcon é ser um submarino de verdade que pode ser lançado da praia. Existem muitos submarinos de águas profundas em uso atualmente, mas todos eles precisam do apoio de embarcações de 100 metros que são recursos nacionais dos EUA, Russia, Japão ou China, e cujo frete fica em US$ 50.000 dólares por dia. Já o Super Falcon pode ser lançado a partir de seu próprio reboque e funciona sem necessidade de apoio de uma embarcação, por consequência, é muito mais econômico.

O conceito foi reconhecido no segundo trimestre de 2011, quando o Super Falcon foi lançado a partir de praias e marinas no Golfo de Ácaba, ao norte do Mar Vermelho. Sete cientistas muito respeitados ‘voaram' com Hawkes por toda a extensão do litoral da Jordânia, desde Israel até a fronteira com a Arábia Saudita. O objetivo era investigar os corais a profundidades maiores que os 40 metros já documentados por mergulhadores autônomos. A capacidade de navegar por 11 quilômetros em um único mergulho e depois deixar a água em uma praia remota é um conceito inteiramente novo na exploração oceânica. Ao dispensar a necessidade de muitos dos recursos que o DeepFlight Challenger requer para operar em profundezas abissais dos oceanos, foi operacionalmente possível criar este submersível muito leve, dotado de velocidade, alcance e agilidade nas manobras.

É evidente que submarinos como o Super Falcon não são baratos. A reportagem de capa da edição de Natal de 2010 da revista Robb Report, especializada em artigos de luxo, identificava 21 presentes de fim de ano para indivíduos super-ricos e listava os submersíveis de Hawkes entre outros raros objetos de desejo, como o Bugatti Veyron. Mas, com quatro gerações de submersíveis alados DeepFlight já desenvolvidos, talvez os voos submarinos se tornem uma realidade ainda mais acessível no futuro próximo. Para mais informações, visite www.deepflight.com.

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