Uma luz diferente

Iluminação LED para fotografia subaquática


Utilizando iluminações com diferentes potencias funciona bem para produzir sombras interessantes para temas macro como este nudibrânquio.


Não muito tempo atrás aqueles que buscavam imagens subaquáticas eram divididos em dois grupos: fotógrafos e cinegrafistas. Esta divisão era baseada mais em questões práticas do que em argumentos – os equipamentos eram dedicados para a fotografia ou para o vídeo e, pensando nos custos associados, fazia sentido escolher um ou outro.

Entretanto, em anos mais recentes, as coisas se misturaram. A maioria das câmeras oferece opções para a fotografia e para o vídeo. Muitos fotógrafos e cinegrafistas de superfície abraçaram esta versatilidade, mas a mudança tem sido lenta entre os fotógrafos submarinos por causa das particularidades da iluminação subaquática.

Historicamente os fotógrafos subaquáticos utilizam estrobos, que utilizam capacitores para fornecer um flash de luz quando a fotografia é tirada. Apesar de alguns estrobos terem a capacidade de emitir uma luz continua, este tipo de iluminação é mais utilizado como mira ou para ajudar durante mergulhos noturnos do que como iluminação boa o suficiente para permitir imagens de vídeo com boa qualidade. Ao mesmo tempo, a iluminação para vídeo subaquático também não produzia luz suficiente para permitir fotografia de boa qualidade com consistência. Levar iluminação para os dois tipos de imagem significava carregar uma enorme quantidade de equipamentos.

Entretanto, recentes desenvolvimentos da tecnologia LED (diodo emissor de luz) permitiram que iluminações compactas e com alta potência se tornassem populares. Finalmente tanto fotógrafos quanto cinegrafistas têm acesso a sistemas de iluminação que funcionam para as duas situações.
Características da luz de LED
Características utilizadas na descrição de luzes LED incluem o fluxo luminoso em lumens, duração, ângulo do feixe de luz, índice de reprodução cromática e temperatura de cor. Tudo isso deve ser considerado ao se selecionar um sistema de iluminação para fotografia subaquática. Algumas unidades são testadas de acordo com as especificações de desempenho da American National Standards Institute e da National Electrical Manufacturers Association (padrão ANSI/NEMA FL 1-2009), que certifica que uma luz irá desempenhar conforme planejado (por exemplo, uma luz de padrão FL 1 tem garantia de manter o seu fluxo luminoso durante toda a duração indicada).


Iluminação LED funciona muito bem para foco de perto, grandes angulares
com temas pequenos ou médios no primeiro plano, como este cabezon,
porque já é necessário se aproximar do tema.
O fluxo luminoso define a quantidade de luz visível que é emitida. Em outras palavras, esta especificação oferece um indicador da potência da luz LED. Apesar de algumas opções oferecerem uma potência parecida com a dos estrobos (8000 lumens ou mais), por enquanto o preço desses sistemas afasta muitos fotógrafos. O fluxo luminoso é relativo à maior potência do sistema, portanto selecionar uma potência menor vai diminuir o fluxo luminoso proporcionalmente. Isto também vai afetar o tempo de duração (ou de queima), uma característica que descreve quanto tempo a bateria dura em um fluxo luminoso especifico, normalmente no máximo, até que atinja 10% do fluxo inicial.

Angulo do feixe de luz é o ângulo onde a potência do feixe é metade da potência máxima da iluminação (normalmente a potência máxima está no centro). Isto também é conhecido como o potencial de largura-máxima na potência-mediana. Isto é uma das diferenças principais entre estrobos de alta qualidade e luzes LED para vídeo. Estrobos, usados para capturar uma imagem momentânea, costumam ter ângulos de feixe de luz mais abertos (é comum terem de 110 a 120 graus) do que iluminações de LED (normalmente menos do que 100 graus), já que o vídeo é normalmente utilizado para a captura de temas em movimento. Para complicar ainda mais temos o índice de refração da água. Quando luzes com lentes planas são submergidas, o ângulo do feixe é reduzido em até 33%, mas muitos fabricantes só divulgam os ângulos obtidos na superfície, o que pode confundir compradores. Alguns fabricantes fizeram um esforço para simplificar as coisas e divulgam os ângulos do feixe enquanto submersos; outros desenvolveram luzes com lentes curvas para eliminar esta complicação de uma vez.

Reprodução cromática, também conhecida como índice de reprodução cromática, define a habilidade de uma fonte de luz em conseguir representar o espectro de cores corretamente, em comparação com uma fonte de luz ideal de referência, com a mesma temperatura de cor. Esse índice é expresso em uma escala de 1 a 100; quanto maior o número, mais corretamente as cores são reproduzidas. Diz-se que um índice superior a 90 é o desejado para imagens profissionais. O índice de reprodução cromática é diferente de temperatura de cor, expressa em graus Kelvin, e que caracteriza a luz como sendo mais quente/amarelada (valores baixos) ou fria/azulada (valores altos). A maioria dos fabricantes de estrobos e sistemas de iluminação LED buscam atingir uma temperatura de cor próxima à luz natural (aproximadamente 5500-6000K). Na nossa experiência, a maioria dos sistemas de iluminação subaquática LED tende a ser ligeiramente mais quente do que os estrobos, mas pequenos ajustes de temperatura são fáceis de conseguir utilizando programas de computador de pós processamento.
Considerações e Técnicas

Criaturas pequenas e de cores leves, como este cowrie são boas escolhas de
temas macro quando se fotografa com iluminação LED.
Recentemente, uma variedade de sistemas de iluminação LED criados para o uso subaquático se tornou disponível, e a tecnologia melhora a cada dia. O espetacularmente luminoso sistema de 14000 lumens que utilizamos em Bonaire em 2015 era incomparável ao sistema de 500 lumens que utilizamos para fotografia subaquática menos de cinco anos atrás. Apesar de muitos sistemas de iluminação LED serem capazes de iluminar um tema para fotografia subaquática, eles ainda não têm o poder oferecido pela maioria dos estrobos. Com isso, um dos princípios da fotografia subaquática se torna especialmente importante quando substituímos estrobos por iluminação LED: Aproxime-se.

Diminuir a distância até o seu tema vai ajudar a sua iluminação LED a produzir excelentes exposições no primeiro plano, mesmo em imagens feitas com grande angulares. Com isso, usar equipamento que permita focar em pequenas distancias, como lentes macro ou olho de peixe com uma distância focal curta, é crítico. É comum termos que utilizar uma maior abertura com luzes LED do que com estrobos e, dependendo da potência da iluminação e do ângulo do feixe de luz, pode ser necessário escolher um tema de menor dimensão (como um pedaço de coral mole) e não um de grandes dimensões (como uma pedra grande coberta de coral mole).

Os limites relativos das iluminações LED disponíveis no momento também podem afetar a composição. Enquanto ao utilizarmos estrobos normalmente nos aproximamos dos temas olhando de baixo para cima, as iluminações LED nem sempre têm como compensar as maiores velocidades do obturador por vezes necessárias ao se fotografar em condições com muita luz natural. Por enquanto, imagens que mostram um sol bem definido são provavelmente obtidas usando estrobos do que fontes de luz continuas.


Fotografia grande angular em águas claras e transparentes exige fotografar olhando a meia água ao invés de fotografar de baixo para cima em direção ao sol.

Outro ponto a ser considerado é o conforto do seu tema. Podemos atestar por experiência própria que alguns temas (especialmente modelos) podem ficar rapidamente descontentes se lhes for pedido que posem olhando para fortes luzes continuas. E apesar de alguns seres marinhos não se incomodarem, não há como nos aproximarmos "silenciosamente" de um animal emitindo uma luz com milhares de lumens – espécies mais acanhadas podem não posar sequer para uma breve fotografia. Já que o tempo de duração é uma limitação para os sistemas de iluminação atualmente disponíveis, não é provável que você fique zanzando com as luzes sempre ligadas, mas mesmo ficar ligando e desligando as luzes pode incomodar alguns tipos de vida marinha. Apesar do tamanho e do peso de alguns sistemas de iluminação LED serem uma vantagem para viajar, recomendações recentes da Federal Aviation Administration contra o transporte de baterias de íons de lítio na bagagem desacompanhada podem significar que você deve ajustar seu espaço na bagagem de mão para acomoda-las.
Vantagens
Existem diversas vantagens na utilização da iluminação LED para a fotografia. A opção de trocar entre vídeo e fotografia durante um único mergulho sem ter que carregar múltiplas fontes de iluminação (ou pior ainda, várias câmeras dedicadas) é a mais óbvia, e é importante. Muitas, se não todas, câmeras são capazes de fazer as duas coisas, e a flexibilidade oferecida por uma iluminação forte e continua pode ser uma vantagem prática maior do que qualquer desvantagem.


Este polvo demostra que temas pequenos garantem que fotógrafos fiquem menos limitados por ângulos relativamente fechados.



Em muitos casos, os sistemas de iluminação LED são menores e/ou mais leves do que estrobos, fornecendo uma vantagem de tamanho/peso que é particularmente benéfica quando se mergulha a partir da costa, em correntezas ou em espaços confinados. A iluminação LED também ajuda a otimizar o foco automático em condições de pouca iluminação, permite a visualização de cores em profundidade e ajustes em tempo real que minimizam a necessidade de se rever imagens durante o mergulho, o que significa mais tempo para capturar imagens. Embora o bracketing ainda seja uma boa ideia, os fotógrafos podem utilizar o fotômetro durante a configuração da foto para detectar qualquer grande problema na exposição e corrigir quaisquer áreas luminosas ou sombras antes de clicar.

O mesmo vale para detectar backscatter ou flares: problemas podem ser facilmente vistos através do visor, o que ajuda a diminuir surpresas indesejadas na revisão das imagens (ou pior ainda, processos que consomem muito tempo após o download). Fotógrafos que utilizam fontes de luz continuas também têm menos limitações na velocidade do obturador, quando comparado com o uso de estrobos, já que não precisam se preocupar com a sincronização ou imagens com fantasmas, o resultado de uma velocidade muito alta ou muito baixa, respectivamente.
Conclusão

Com as potentes iluminações LED atualmente disponíveis aos fotógrafos,
imagens em grande angular são fáceis com apenas um pouco de tentativas
e erros, como podemos ver nesta imagem de uma sépia e um mergulhador
na Indonésia.
Enormes e rápidos avanços na tecnologia de LED permitiram o surgimento de uma variedade de sistemas de iluminação de alta intensidade e compactos para fotógrafos e cinegrafistas subaquáticos. Como resultado, o uso de iluminação LED na fotografia se tornou uma técnica prática, permitindo uma transição rápida entre o vídeo e a fotografia, permitindo que o mergulhador escolha como vai registrar o tema durante o mergulho. É claro que existem diferenças entre se usar estrobos e iluminação LED para fotografias, mas a diferença tem sido diminuída substancialmente, e esta tendência vai continuar já que avanços nas baterias estão sendo feitos e tecnologia para LEDs mais eficientes sendo criada.

A questão agora é se apertamos o botão gravar ou se clicamos para tirar uma fotografia. A iluminação LED não foi feita para substituir os estrobos para a fotografia subaquática, mas com algumas adaptações e compromissos, temos agora a opção de capturar vídeos ou tirar fotografias com uma única câmara. Desde que tenhamos tempo de fundo, temos finalmente a opção de capturar imagens dos dois tipos em um só mergulho.

© Alert Diver — 1º Trimestre 2016

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