Uma História de Tubarão




Quando Art Penney nadava de volta para o barco de mergulho após arpoar dois peixes-leões, um tubarão-bico-fino tentou pegar os peixes, mas a mão de Art estava no caminho.

Eram 11 horas da manhã de um domingo, 10 de novembro de 2013, e nós estávamos fazendo nosso segundo mergulho do dia. Nós estávamos mergulhando entre 9 e 15 metros de profundidade, próximo à praia de Eleuthera nas Bahamas. Tony e Art estavam caçando os peixes-leões invasores para comermos no barco e já tinham coletado 10 deles. As formações de corais lembravam cogumelos gigantes, e os peixes-leões podiam ser encontrados no espaço sob eles.

Art tinha acabado de arpoar dois peixes-leões e estava voltando para o barco quando ele atraiu a atenção de um par de tubarões bico-fino de 1 a 1,5 metros. Eles foram atraídos pelo sangue e pelos movimentos moribundos dos peixes na ponta do arpão. Um tubarão nadou para cima embaixo do Art conforme ele nadava para o barco. Quando o tubarão abriu a boca e se dirigiu para o peixe, ele encontrou a mão esquerda do Art no caminho. Art diz que foi de repente, inesperado e dolorido. Ele enfiou seu punho embaixo da sua axila direita e continuou para o barco, onde ele entregou seus peixes. Sue e Paula então o ajudaram a subir a bordo, fizeram um curativo de pressão e o ajudaram a tirar sua roupa. Havia muito sangue. Art não se lembra de nada disso.

O capitão Dan ligou para a Divers Alert Network® (DAN®) para relatar o acidente. O médico da DAN pediu ao capitão que ficasse na linha e, em pouco tempo, retransmitiu os detalhes da remoção para ele. A DAN organizou tudo; simples assim, uma evacuação para ele e para mim estava a caminho.

Quando eu voltei para o barco, meu trabalho era juntar nossos passaportes, dinheiro, cartões de crédito, roupas e medicamentos para levar conosco no vôo para a Flórida.

O capitão Dan nos levou até um pequeno porto em Eleuthera. Nossos companheiros de mergulho e a tripulação nos acompanharam até a praia para se despedirem. A ambulância local, com a sirene ligada, nos levou até nosso avião após uma pequena parada na clínica médica local, onde o Art tomou uma injeção de tétano.

A tripulação do jato da Trinity Air Ambulance estava esperando por nós no aeroporto. Eles rapidamente nos embarcaram e a aeronave estava pronta para decolar, o que aconteceu quase imediatamente. O piloto nos informou que a cabine estava pressurizada a nível do mar, o que era importante já que fazia muito pouco tempo que nós havíamos feito nosso último mergulho. O vôo demorou cerca de 45 minutos, durante os quais os paramédicos avaliaram as condições do Art e responderam muitas questões.

Nós aterrissamos em Fort Lauderdale, onde passamos rapidamente pela alfândega e fomos colocados em outra ambulância e transportados para o departamento de emergência do Centro Médico de St. Mary em West Palm Beach. Lá o Art foi examinado por médicos, enfermeiras e outros profissionais do hospital e logo entrou em cirurgia para reparar a mão. Às 20 horas ele estava confortavelmente deitado em sua cama. Nós fomos tratados com gentileza e profissionalismo pela equipe do hospital.

A eficiência da DAN e a velocidade com a qual ela realizou tudo foram realmente impressionantes.

Eu passei a noite em uma poltrona ao lado da cama de Art (ai, minha dor nas costas!) e me registrei em um hotel próximo para dormir um pouco e tomar um banho no dia seguinte. Após três dias Art recebeu alta para voar de volta para casa. A DAN cuidou de tudo. De todas as lições que aprendemos naquele dia, a mais valiosa foi: Nunca mergulhe sem a DAN.
Condicionamento Perigoso
Por Serena Hackerott

Se você já teve um bicho de estimação, você provavelmente já o viu correndo em sua direção ansiosamente quando você abre uma lata ou chacoalha um pacote que faz um barulho igual ao da comida dele. Seu bicho de estimação aprendeu a associar esse som com ser alimentado, mesmo que o som venha apenas de uma lata de vegetais ou de um pacote de salgadinhos. Da mesma forma, alguns mergulhadores no caribe deram peixes-leões mortos ou machucados aos tubarões ou outros predadores tão frequentemente que esses peixes começaram a associar mergulhadores — especialmente aqueles caçando peixes-leões — com comida. Infelizmente, a consequência é maior do que um latido ou um miado persistente de um bicho de estimação: os mergulhadores podem ser feridos por predadores nativos esperando comida. Embora tenha havido relatos de predadores do Caribe se alimentando de peixes-leões, nossa pesquisa descobriu que as populações de peixes-leões não são controladas por predadores nativos no Caribe.1,2

Eu acredito que é muito perigoso tentar ensinar predadores nativos a se alimentarem de peixe-leão. Eu sou mergulhadora há mais de 10 anos e nunca me senti ameaçada por um tubarão. Eu posso não me sentir tão confortável, entretanto, se os tubarões começarem a esperar um lanchinho toda vez que eu entrar na água.




Não há evidência científica de que predadores nativos irão aprender a se alimentar de peixes-leão o suficiente para reduzir os seus números. O único método que nós atualmente temos para controlar a população de peixes-leões é retirá-los dos recifes, portanto é importante que essa prática continue de maneira segura. Eu arpoei centenas de peixes-leões sem que houvesse nenhum incidente.

Eu espero que a comunidade do mergulho comece a desencorajar a prática de alimentar os predadores nativos com peixes-leões, para que a caça ao peixe-leão continue sendo uma atividade segura. Ao invés de dar os peixes-leões para os tubarões, experimente comê-los você mesmo. Meus colegas do Bruno lab da University of North Carolina já comemos quase tantos peixes-leões quanto nós caçamos. O peixe-leão tem gosto de snapper ou de garoupa, e saber que você está ajudando os recifes pode fazer com que eles sejam ainda mais gostosos.

References
1. Hackerott S, et al. Native predators do not influence invasion success of Pacific lionfish on Caribbean reefs. PLoS ONE 8, e68259 (2013).

2. Valdivia A, Bruno JF, Cox CE, Hackerott S, Green SJ. Re-examining the relationship between invasive lionfish and native grouper in the Caribbean. PeerJ 2, e348 (2014).


© Alert Diver — 3º Trimestre 2014

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