Tubarão: Um ícone em ascensão




Um grande tubarão martelo (Sphyma mokarran) navega sobre um areião raso próximo à ilha de Bimini nas Bahamas.

Ao longo de milhões de anos, os tubarões ganharam sua reputação de predadores efetivos e impressionantes. Os primeiros humanos a encontrarem esses animais devem ter ficado admirados, amedrontados e fascinados — atitudes que se mantém até hoje. Historicamente, nós caçamos tubarões, os exibimos como troféus e os comemos; apenas recentemente aprendemos o quão vulneráveis eles são à nossa presença. Através da consciência crescente de que os tubarões na verdade precisam de nossa proteção, nasceu um movimento global de conservação.

Contudo, as perspectivas com relação aos tubarões permanecem dúbias. Enquanto programas populares de mídia, como o sensacionalista "Semana do Tubarão" do Discovery Channel, consistentemente alimentam nosso medo, nos convencendo de que os ataques de tubarões são sempre comuns e estão continuamente aumentando, os tubarões são um dos grupos mais admirados de animais selvagens no planeta. As pessoas amam observá-los e pagam muito dinheiro para observá-los na água. Alguns alunos sacrificam de bom grado vários anos de suas vidas, além de um investimento financeiro substancial, simplesmente para poder estudá-los. Jogue suas cartas corretamente, e você pode até mesmo se tornar uma celebridade relacionada aos tubarões, aparecendo em alguns dos mais populares documentários sobre essas atraentes criaturas. Em 2014, tubarões fictícios foram arremessados de dentro de tornados — pela segunda vez. Se um tubarão é avistado a partir de um barco, o noticiário noturno imediatamente transmite o evento. A fama dos tubarões nunca esteve tão alta, mas será que a nova ubiquidade dos tubarões na cultura popular tornou menos clara a verdade sobre a situação desse animal?

Cerca de 25 por cento de todas as espécies de tubarões estão ameaçadas de extinção. A questão, entretanto, é na verdade muito mais complexa. Muitas espécies de tubarões são vulneráveis até mesmo a baixas pressões de pesca. Por exemplo, uma espécie de cação-raposa dá à luz a apenas dois filhotes por ano, e eles levam 13 anos para atingirem a maturidade. Não é difícil imaginar por que essa espécie está especialmente em risco. Da mesma forma, o mercado de barbatanas de tubarões é responsável pela morte de dezenas de milhões de tubarões todo ano. Algumas espécies tiveram suas populações reduzidas em mais de 90 por cento nos últimos anos, e provavelmente necessitarão de décadas sob manejo consciente antes que comecem a mostrar sinais de recuperação.

Do ponto de vista conservacionista, entretanto, há muito a ser celebrado. As pesquisas atuais sobre os tubarões realmente se apoiam nos ombros de gigantes pioneiros no estudo dessas espécies enigmáticas. Inúmeros grupos de pesquisadores passam muito tempo no mar, em salas de conferência, em salas fechadas e nas exaltadas linhas de frente políticas para coletar dados e desenvolver políticas destinadas a implementar medidas protetoras e estratégias sustentáveis para o manejo de tubarões. Um grande exemplo de seus feitos pode ser visto no recente sucesso do tubarão branco, que está mostrando sinais de recuperação tanto na costa leste quanto oeste dos Estados Unidos, de acordo com uma pesquisa publicada este ano.

Atualmente as pessoas podem monitorar os movimentos diários de tubarões marcados, em tempo real, a partir de seus smartphones. Uma variedade de corporações — até mesmo companhias de óculos de sol — têm feito doações para apoiar a conservação dos tubarões. Os cientistas continuam a fazer descobertas inacreditáveis em locais como as profundezas dos oceanos, onde uma nova espécie de tubarão é descrita a cada duas semanas em média. Nós ainda não sabemos quase nada sobre essas espécies ou sobre a situação de suas populações, e sua existência permanece ofuscada pela grande e sexy "lista-A" de espécies.

Grandes progressos têm sido feitos na recuperação das populações de tubarões em muitas regiões e para muitas espécies, mas não deixe as notícias ou filmes comerciais te enganarem. O número de tubarões em nossas costas não está subitamente aumentando. De fato temos tido vitórias conservacionistas locais importantes, mas a questão é na verdade global — um ponto destacado pelo governo da Austrália Ocidental, que, no ano passado, utilizou medidas letais de controle de tubarões para mitigar um surto de ataques de tubarões ocorrido nos últimos anos. Embora a preocupação deles possa ser real, essas medidas não irão resolver o problema.

Em histórias de encontros negativos entre tubarões e humanos, os humanos tendem a ser os perdedores, portanto, é fácil entender por que podemos interpretar um aparente aumento nos encontros com tubarões como uma evidência do aumento da abundância desses animais, mas não há dados científicos para corroborar essa correlação. Essa discrepância entre percepção e realidade mostra que a conservação dos tubarões é uma questão tanto social quanto ecológica.

Embora as atitudes e políticas públicas com relação à situação dos tubarões possam mudar ao longo do tempo, a natureza de crescimento lento e a baixa taxa reprodutiva não irão. Nós ainda nos alimentamos deles, mas grandes avanços têm sido feitos para frear a demanda por produtos provenientes de tubarões. A educação e a conscientização ainda são fundamentais, e devemos continuar a defender os tubarões e servir de líderes em nossas comunidades. Com ações efetivas e pesquisas, juntamente com esforços para dissipar informações incorretas, os tubarões podem continuar sua ascensão para a estratosfera da cultura popular, e podem um dia se recuperar e prosperar em oceanos ao redor do mundo uma vez mais.
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Bold — A Waterlust Film about Oceanic Whitetip Sharks



© Alert Diver — 4º Trimestre 2014

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