Trombose Venosa Profunda e o Mergulho

Os médicos e pesquisadores da DAN respondem às suas questões sobre medicina do mergulho.



Q: Eu ouvi dizer que a trombose venosa profunda (TVP) é um problema para viajantes em voos longos. Quais são os fatores de risco para a TVP, e eu ainda poderei mergulhar se a tiver?

A: A TVP é uma condição na qual coágulos de sangue se formam em uma ou mais das veias profundas, normalmente nas pernas. Quando os coágulos sanguíneos se desprendem e se deslocam com o sangue, a TVP pode causar condições que oferecem risco de vida, como um derrame ou uma embolia pulmonar. A TVP não está relacionada ao mergulho, mas os mergulhadores frequentemente viajam e portanto estão expostos ao risco de TVP.

Embora a TVP em viagens seja rara (a prevalência para viajantes em voos de mais de oito horas está entre 0,3 e 0,5 por cento), os fatores de risco incluem idade (com risco crescente após os 40), obesidade, uso de estrogênio, gravidez recente ou atual, trombofilia, histórico pessoal ou familiar de TVP, câncer ativo, doenças graves, cirurgia recente, mobilidade limitada, cateterismo venoso central e altura significantemente acima ou abaixo da média.

Se você planeja estar em um voo longo e acredita que possa apresentar um risco maior de TVP, você pode reduzir a possibilidade de desenvolver essa condição vestindo meias de compressão e conversando com seu médico sobre os possíveis benefícios de medicações anti-inflamatórias. Também é um bom hábito levantar-se e caminhar um pouco periodicamente, exercitar os pés e panturrilhas enquanto estiver sentado e permanecer bem hidratado.

Se você desenvolver TVP, você não deve mergulhar durante a fase aguda da condição ou enquanto estiver tomando anticoagulantes. Você pode voltar a mergulhar após a TVP, mas você não deve fazê-lo sem consultar um médico especializado em medicina do mergulho. É menos provável que você possa voltar a mergulhar após uma embolia pulmonar, mas pode ser que você possa desde que seu médico concorde. O retorno ao mergulho após um derrame também deve ser avaliado individualmente.

Para mais informações sobre TVP, veja o blog da DAN "The Dive Lab" em DAN.org/TheDiveLab/DVT.

— Petar Denoble, M.D., D.Sc.


Q: Eu participei recentemente de uma viagem de mergulho na qual a equipe insistia em que todos bebêssemos de cinco a seis litros de água nos dias de mergulho. Isso é realmente uma boa ideia?

A: Essa pratica não é universal e não é recomendada. É uma tendência humana natural raciocinar que, se uma pequena quantidade de algo é boa então uma grande quantidade deve ser melhor, mas esse raciocínio raramente é verdadeiro. Consumir tanta água assim na verdade pode levar a sérios problemas de saúde.

Uma


possível complicação é a "intoxicação por água", um fenômeno no qual o consumo excessivo de água leva a uma diminuição da quantidade de sódio e outros eletrólitos fora das células do corpo. A concentração reduzida de sódio no meio externo das células significa que os níveis de sódio dentro das células estão relativamente mais altos. Água entra nas células para equilibrar os níveis de sódio, o que faz com que elas inchem. Isso por sua vez pode causar câimbras nos músculos esqueléticos e abdominais. Além disso, o inchaço das células cerebrais pode causar confusão, mudanças de humor, problemas de coordenação e uma perda de consciência da situação. Casos graves e não tratados de intoxicação por água podem levar ao coma e à morte.

Outra possível complicação para mergulhadores é um aumento do volume de fluido no sangue. Quando estamos submersos em água há uma transferência de volume de sangue dos vasos periféricos para a circulação central. Isso é esperado e normal. Normalmente quando essa mudança ocorre a força contráctil do coração aumenta de acordo para compensar, mas um volume de sangue anormalmente grande pode sobrecarregar a função cardíaca em alguns indivíduos. Isso leva a um edema pulmonar por imersão, que pode se desenvolver na superfície, durante o mergulho ou imediatamente após a chegada à superfície. Essencialmente os fluidos do próprio corpo se acumulam nos pulmões, causando falta de ar aguda e uma possível perda de consciência. Dependendo da gravidade dos sintomas, a pessoa pode precisar desde cuidados dos sintomas até intervenções agressivas de profissionais da área médica.

As possíveis complicações de uma hidratação excessiva são maiores do que qualquer benefício conhecido. Uma hidratação adequada é importante, mas não existem dados que demonstrem que os mergulhadores precisem aumentar significativamente sua ingestão de líquido. Não acredite em opiniões infundadas, e não hesite em perguntar as fontes desse tipo de recomendação.

— Marty McCafferty, EMT-P, DMT




Q: Eu irei testar equipamento em uma série de dois mergulhos de 60 minutos a 3 metros (10 pés) de profundidade, em uma altitude de 1.646 metros (5.400 pés). No dia seguinte irei para uma altitude máxima de 3.527 metros (11.570 pés), para uma viagem de esqui. É seguro viajar de carro para uma grande altitude após meus mergulhos?

A: Você ganhou crédito por analisar antes essa questão de subir para altitude após mergulhar. Embora seja facilmente esquecida em planejamentos de mergulho, pode ser um problema importante dependendo do(s) mergulho(s) e das altitudes.

De forma geral, é melhor evitar a exposição à altitude, tanto viajando por terra quando voando, logo após mergulhar. As diretrizes atuais da DAN para voo após mergulho recomendam um intervalo de superfície mínimo de 12 horas antes de voar após um mergulho único dentro dos limites não descompressivos, 18 horas após dias de mergulhos múltiplos ou múltiplos dias sequenciais de mergulho, e "muito mais" do que 18 horas após mergulhos descompressivos. 1 A altitude de exposição considerada nessas diretrizes fica entre 610 e 2.438 metros (2.000 e 8.000 pés). Mudanças de altitude menores do que 610 metros são ignoradas, pois acredita-se que a alteração de pressão se encaixa na variação normal da pressão meteorológica. A maioria dos dados disponíveis não contemplam viagens a altitudes maiores do que 2.438 metros, mas elas certamente representam um maior grau de estresse descompressivo.

Os mergulhos que você descreve, entretanto, são simples o suficiente para que seja útil usar como referência as tabelas de altitude da Marinha Americana.2 Elas foram construídas matematicamente para considerar perfis de mergulho específicos no cálculo de limites de exposição a altitude. A U.S. Standard Atmosphere3 descreve a pressão ambiente a 5.400 pés como 12,05 psi. A "profundidade equivalente" (que é necessária ao se utilizar tabelas padrão que são baseadas em mergulhos ao nível do mar) é calculada multiplicando-se a profundidade de mergulho real pela pressão atmosférica na altitude de exposição, depois dividindo-se pela pressão normal a nível do mar assumida para as tabelas. A profundidade equivalente é então 10 pés x 12,05 psi = 8,3 pés. A profundidade equivalente para um mergulho real a 15 pés é 12,3 pés e para um mergulho real a 20 pés é 16,4 pés. Dadas as regras para arredondamentos em tabelas de mergulho, não há mudança efetiva nas profundidades usadas para o cálculo dos grupos repetitivos (Nota: Isso não seria verdade para mergulhos mais profundos).

O manual da Marinha Americana, revisão 6, tabela 9-7, coloca um mergulhador que completa um mergulho a 10 pés com duração entre 102 e 158 minutos no grupo de pressão C. Mergulhar a 15 pés (5 metros) com duração entre 121 e 163 minutos colocaria o mergulhador no grupo de pressão E. Mergulhar a 20 pés (6 metros) com duração entre 106 e 133 minutos colocaria o mergulhador no grupo de pressão F. A mudança de pressão entre o ponto mais baixo e o mais alto de sua viagem é de menos de 1.890 metros (6.200 pés). A tabela 9-6 não restringe uma mudança de altitude de até 2.134 metros (7.000 pés) para grupos de pressão A-D. O intervalo de superfície mínimo antes da viagem deve ser de uma hora e 37 minutos para o grupo de pressão E, quatro horas e quatro minutos para F e seis horas e 10 minutos para G.

Assumindo que os mergulhos sejam conduzidos de acordo com o planejado e a viagem ocorra no dia seguinte (provavelmente mais de seis horas mais tarde), deve haver um risco mínimo de doença descompressiva causada pelo mergulho. Existem dois pontos importantes a serem considerados por aqueles que irão se expor a altitude após mergulhar. Primeiro, a profundidade de 10 pés (3 metros) envolvida no seu caso é muito incomum. Exposições de mergulho mais comuns iriam exigir intervalos de superfície maiores antes de viajar. O segundo ponto é que enquanto as Tabelas da Marinha Americana oferecem tempos aparentemente precisos, elas não consideram os vários fatores que podem alterar o risco de doença descompressiva. É importante manter uma mentalidade de prevenção adicionando mais fatores de segurança sempre que possível.

— Neal Pollock, Ph.D.

Referências
1. Sheffield PJ, Vann RD, eds. Flying After Recreational Diving Workshop Proceedings. Durham, N.C.: Divers Alert Network, 2004.

2. U.S. Navy Diving Manual, Vol. 2, Rev. 6. NAVSEA 0910-LP-106-0957. U.S. Naval Sea Systems Command: Washington, D.C., 2008: Chapter 9.

3. U.S. Standard Atmosphere, 1976. National Oceanic and Atmospheric Administration, National Aeronautics and Space Administration, and United States Air Force. NOAA-S/T 76-1562. U.S. Government Printing Office: Washington, D.C., 1976; 227 pp.
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A linha para Informações Médica da DAN está aqui para responder a todas as suas questões médicas relacionadas ao mergulho. Você pode falar com a equipe médica durantes o horário comercial normal (segunda a sexta feira, das 9h às 17 h, horário da costa leste americana) no telefone +1-919-684-2948, ramal 222. Você também pode enviar o seu e-mail para DAN.org/contact.

© Alert Diver — 4º Trimestre 2014

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