Rick Allen: Adaptando-se aos Desafios da Vida



Cidade Natal: Lubbock, Texas
Idade: 48
Anos Como Mergulhador: 28
Local De Mergulho Favorito: Carolina do Norte e Ilhas Chuuk
Razão Pela Qual Sou Filiado à DAN: "A DAN fornece assistência mundialmente a pessoas que sofrem acidentes durante um mergulho ou uma viagem, publica informações atuais sobre a ciência e a medicina do mergulho e ainda oferece a cobertura de um abrangente seguro de viagem e de mergulho."


Rick Allen vestiu seu equipamento de mergulho e espiou sobre a borda da barcaça. Ele já tinha feito esse mesmo mergulho até o navio naufragado de Barba Negra, o Queen Anne's Revenge (Revanche da Rainha Ana), mais de 200 vezes — mas nunca nessas condições, era a primeira vez que o faria desde o acidente que mudou sua vida em 3 de janeiro de 2011.

Naquela noite, Allen voltou para sua casa em Fayetteville, na Carolina do Norte, depois de um jogo de hóquei do time Carolina Hurricanes. Ao sair do carro na garagem, esqueceu-se de que havia separado ali o seu equipamento de mergulho, o qual iria preparar para guardar durante o inverno em outro lugar. Acidentalmente, ele derrubou o cilindro de alumínio cheio de oxigênio pressurizado, causando uma explosão que lhe arrancou o braço esquerdo ao nível do cotovelo.

A primeira coisa em que Allen pensou após a explosão, foi na lição dada pelo seu instrutor de mergulho, Larry Brown, mais de um quarto de século antes: "Se entrar em pânico, você morre." Ele diz que esse ensinamento salvou sua vida. A segunda coisa a passar por sua cabeça, depois de ver que tinha perdido o braço, foi: "Nossa! Minha vida mudou para sempre."




Mais de um ano depois, uma coisa não mudou: sua determinação em mergulhar. Como ele mesmo diz desde que se recorda ele sempre foi um bicho aquático. "Para mim, é bem mais fácil me divertir no mar do que andar em terra," ele conta. Foi a atração pelo mar que o persuadiu a deixar seu emprego em 1997, depois de passar mais de doze anos trabalhando como fotógrafo para a televisão. "Aos 36 anos, eu sentia necessidade de novos desafios, uma chance de fazer algo novo e alcançar um nível mais elevado de fotografia, iluminação e editoração de imagens," como explica. "Eu também queria ser dono do meu próprio destino e me focar nas coisas que eu mais amava. Lançar-me ao trabalho autônomo e liberal foi realmente um salto para o desconhecido, mas algo que eu precisava fazer e uma decisão da qual eu jamais me arrependi, nem por um instante." Alguns meses antes, uma empresa privada de pesquisa chamada Intersa Inc. havia descoberto o navio Queen Anne's Revenge no fundo do mar, ao largo da costa da Carolina do Norte, perto de entrada de Beaufort. Não demorou muito até que Allen conhecesse o navio perdido do Barba Negra.

Em 1998, Allen e sua companhia Nautilus Productions haviam começado a fazer um filme submarino sobre a exploração e recuperação do naufrágio, trabalhando lado a lado com o serviço de arqueologia subaquática do gabinete arqueológico estadual da Carolina do Norte. Mais tarde, Allen recebeu os direitos exclusivos da filmagem submarina do naufrágio, e investiu esses direitos em documentários para a TV Discovery Channel, a BBC, UNC-TV e outros. No ano 2000, Allen deu um passo ainda maior em seu trabalho, coproduzindo uma inovadora transmissão ao vivo, pela internet durante uma semana inteira, proporcionando o acompanhamento por vídeo e áudio do naufrágio em tempo real para o mundo todo.

Filmar o Queen Anne's Revenge tem sido uma paixão de Allen, mas nem por isso sua única paixão. Ele e a esposa, a fotógrafa Cindy Burnham, já mergulharam por uma quantidade de naufrágios ao redor do globo. Em 2009, a Nautilus Productions ganhou um prêmio de bronze do cobiçado Telly Awards por um documentário sobre o misterioso naufrágio do Mardi Gras, uma embarcação com a idade estimada em 200 anos que repousa ao largo da costa da Louisiana. Allen também é fã de tubarões — das espécies grandes. Ele gosta de filmar os enormes tubarões brancos de 1.400 quilos, embaixo da água e também acima dela, quando eles rompem a superfície para devorarem suas presas.

Ele sabe que a perda de um braço não facilita seu trabalho; o mar pode ser um companheiro impiedoso. Mas ele fez uma promessa a si mesmo, e tem toda a intenção de mantê-la. Enquanto ainda estava de cama no hospital, depois de passar 2 meses em um coma induzido pelos médicos, Allen jurou que ia voltar ao Queen Anne's Revenge até o outono, quando estava programada uma volta de sua equipe de mergulho para auxiliar no resgate de outro canhão do naufrágio de quase 300 anos. "De jeito nenhum eu vou perder isso," ele havia dito a si mesmo.



Ele teve alta do hospital Jaycee Burn Center na Carolina do Norte em março, uns três meses antes das previsões dos fisioterapeutas. Os protéticos fizeram para Allen um braço especialmente projetado para mergulho, usando fibra de carbono e titânio com peças de aço inoxidável. Depois de passar por meses em terapia (ele apelidou sua terapeuta, Hillary Rose, de "Hillary a Destruidora" devido à punição infligida por ela), Allen se achou pronto para voltar ao trabalho e ao mar.

Em um dia frio e cinzento no final de outubro, Allen espiou sobre a borda da barcaça. Ele já havia admitido mais cedo que estava um pouco apreensivo, especialmente quanto ao seu regresso ao barco. Não é uma coisa tão fácil para um mergulhador qualquer, muito menos para alguém que perdeu um braço. Tom Piner, o capitão da barcaça, ajudou a resolver o problema soldando e customizando uma escada que permitiria a ele basicamente andar sobre um conjunto de degraus.

Quando Allen desapareceu sob a superfície da água, o capitão começou a distribuir bexigas de festa, que rapidamente foram cheias e amarradas à escada. Depois de uns 20 minutos, quando Allen voltou à superfície, ele andou sobre a escada sem muito esforço, retirou sua máscara e sorriu de orelha a orelha. O capitão Piner trouxe da casa do leme um bolo com a inscrição "Rick é o cara!" Um ano que se iniciara de forma tão sofrida e aterrorizante chegava agora perto de se encerrar trazendo triunfo e alegria. "Rick, você quer este bolo agora mesmo?" perguntou Piner. "Bom, então aqui vai." Dizendo isso, Piner apertou o bolo no rosto de Rick Allen, que ficou com a cobertura de glacê vermelho escorrendo pela face enquanto a equipe o aplaudia dando risada. No dia seguinte, Allen ajudou sua equipe na recuperação de mais um canhão do Barba Negra, um marco histórico que ele acredita ser apenas o primeiro de muitos que ainda virão.



"Depois do acidente, era o fim do primeiro capítulo da minha nova vida e o início daquilo que virá pela frente, seja lá o que for," disse Allen. "Tenho confiança de que, com algumas adaptações na forma de trabalhar, conseguirei ter novamente quase toda minha habilidade para filmar debaixo da água." Mergulhar é a parte fácil, ele conta, mas vestir o equipamento ainda apresenta alguns desafios. Ele se preocupa um pouco mais com sua capacidade de filmar fora da água. Usar uma câmera de transmissão requer boa coordenação motora fina (movimentos curtos), e nenhuma prótese pode se igualar à destreza de uma mão humana. No entanto, Allen não desanima — esse não é seu estilo.

Quando ele foi levado de avião para o centro de queimaduras, os médicos lhe deram menos de 40 por cento de chance de sobrevivência. Ele contou que foi graças a esses mesmos médicos, aos seus amigos e ao seu pensamento positivo que ele conseguiu se recuperar. E acredita que agora nada pode detê-lo. "Toda a minha carreira profissional tem sido em torno de adaptações a novas situações, pessoas e tecnologias," comentou, "por isso minha vida atual não é novidade. Eu só tenho que continuar produzindo e editando, e o resto vai se revelando por conta própria… É apenas mais um desafio no percurso. E eu gosto de desafios."

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© Alert Diver — Winter 2012

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