Respeite sua Profundidade Máxima Operacional

Os médicos e pesquisadores da DAN respondem às suas questões sobre medicina do mergulho.

Em uma recente viagem de mergulho, meus duplas e eu mergulhamos usando nitrox 30. Abaixo de nossa profundidade máxima operacional havia uma grande tartaruga que meus duplas queriam fotografar. Eles decidiram inalar profundamente e prender a respiração para evitar de respirar oxigênio na profundidade maior. Além das preocupações óbvias com relação a prender a respiração e de exceder a profundidade máxima operacional, eu achei que o oxigênio no corpo de um mergulhador seria comprimido a pressão ambiente independentemente do mergulhador respirar ou não. Vocês podem por favor me esclarecer?

Como você depreende, a lógica empregada pelos outros mergulhadores não é válida. O gás em seus pulmões é comprimido conforme eles descem, eles prendendo a respiração ou não. A descida causa um aumento no gradiente que leva oxigênio ao sangue, e o volume de gás nos pulmões é grande o suficiente para que não seja necessária uma respiração constante para que o efeito seja significativo.

O risco de intoxicação por oxigênio também aumenta com o aumento da intensidade do exercício e dos níveis de dióxido de carbono (CO2). Portanto, não só esses mergulhadores não eliminaram o aumento da exposição ao oxigênio, como também prender a respiração aumentaria os níveis de CO2 aumentando assim o risco de intoxicação por oxigênio, se mantido por um período de tempo importante.

A questão sobre qual é uma pressão parcial de oxigênio (PO2) máxima apropriada evoluiu recentemente. O antigo limite de 1.6 ATA foi amplamente substituído por 1.4 ATA, particularmente em casos de profundidades onde seria muito mais difícil de sobreviver às complicações de uma convulsão. Uma das realidades mais difíceis de se entender na fisiologia do mergulho é a de que sair ileso uma vez, duas vezes ou dez vezes não é garantia de segurança futura. Respeitar a profundidade máxima operacional para limitar a PO2 a não mais do que 1.4 ATA e manter a intensidade de exercícios em profundidade o mais leve possível deve ser a base de uma prática segura. Alternativas criativas podem ser tentadoras até o momento em que elas falham. A melhor maneira de priorizar a segurança é adotar limites mais conservadores sempre que possível, e ter em mente, em tempo real, que os piores resultados possíveis podem de fato ocorrer. Nossa base de dados sobre fatalidades no mergulho torna essa infeliz verdade muito clara.

— Neal Pollock, Ph.D.


Meu médico recentemente me diagnosticou com uma DPOC leve. Eu ainda posso mergulhar com essa condição? Quais são os riscos?

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), abrange uma variedade de problemas respiratórios, incluindo bronquite crônica e enfisema. Independentemente de que forma de DPOC a pessoa tenha, existem implicações para o mergulho e riscos dos quais a pessoa deve estar ciente.

A bronquite crônica é definida clinicamente como uma tosse produtiva que persiste por períodos de até três meses e ocorre uma ou mais vezes ao ano por pelo menos dois anos. Durante esses períodos, o risco de infecção, incluindo pneumonia, é alto. A inflamação das passagens bronquiais e o aumento da produção de muco que caracterizam esses períodos são desconfortáveis: Pacientes relatam chiado, dificuldade para respirar e a sensação de que eles não conseguem inalar ar suficiente.




Para mergulhadores, a inflamação e o excesso de muco levam à possibilidade de aprisionamento de gás denso comprimido em profundidade. Durante a subida o volume de gás irá expandir, podendo levar a um barotrauma pulmonar, que pode incluir pneumotórax (pulmão colabado) e, no pior caso, embolia arterial gasosa (EAG). Desses, a EAG é a que oferece maior risco de vida, mas um pneumotórax complicado também pode ser fatal.

O enfisema é definido clinicamente como um aumento anormal permanente dos espaços aéreos dentro dos pulmões devido a deterioração dos alvéolos. Esses espaços aumentados favorecem o aprisionamento de ar em profundidade, o que cria a mesma possibilidade de barotrauma pulmonar do que a bronquite crônica.

Para propósitos de controle médico com relação a medicamentos e outras terapias, os médicos classificam a DPOC como leve, moderada, grave ou muito grave, conforme determinado pela gravidade da obstrução do fluxo aéreo. Mesmo com a designação clínica de leve, existe uma obstrução mensurável além do que é considerado seguro entre pneumologistas treinados em medicina do mergulho. Por essas razões, mergulhar com DPOC — mesmo com DPOC leve — não é recomendado.

— Marty McCafferty, EMT-P, DMT




Eu ouvi dizer que não é raro que câmaras hiperbáricas — mesmo aquelas que tratam mergulhadores — recusem-se a receber certos pacientes. Por que isso acontece?

Nós temos conhecimento dessa questão, que nós discutimos recentemente em um fórum aberto no encontro da Undersea and Hyperbaric Medical Society Gulf Coast Chapter. Nós também temos artigos sobe o crescente número de câmaras que não aceitam casos emergenciais. Algumas razões pelas quais as câmaras hiperbáricas podem recusar transferências de pacientes são as seguintes:
  • Disponibilidade: Algumas vezes simplesmente não há câmaras suficiente. Por exemplo, uma clínica pode já ter um paciente em uma câmara e não ter a equipe ou o espaço na câmara para tratar outros. Se um pequeno serviço hiperbárico aceita um caso emergencial, isso pode forçar o serviço a reagendar ou cancelar tratamentos agendados devido aos períodos de tempo mais longos exigidos para os tratamentos de emergência. Mesmo que uma câmara possa aceitar um paciente, o hospital ou a clínica pode não ter camas disponíveis, o que impossibilita a aceitação de alguns pacientes.

  • Equipe: Muitos serviços hiperbáricos não têm plantão 24 horas. Serviços menores podem ter apenas um ou dois médicos, que podem ter um trabalho principal em outras especialidades, como primeiros socorros ou medicina de emergência. Cargos de supervisor e técnico também podem ser limitados em serviços menores. O nível de conforto dos médicos com um caso particular também deve ser considerado. Um médico que tenha tratado apenas mergulhadores estáveis, por exemplo, pode não se sentir confortável o suficiente com seus conhecimentos para tratar um caso grave de mal descompressivo.

  • Condição do paciente: Alguns serviços não estão equipados para aceitar pacientes em condições críticas. Por exemplo, um paciente em um ventilador não pode ser tratado adequadamente em um serviço concebido para pacientes estáveis. Embora grandes serviços com câmaras multiplace apresentem maior probabilidade de aceitar casos de emergência, o serviço teria que estar equipado para tratar pacientes em condições críticas.

Existem tantas peças deste quebra-cabeças que uma pessoa não pode assumir que um serviço hiperbárico esteja intencionalmente recusando tratar pacientes. Em caso de emergência, ligue para a DAN; nós somos comprometidos a ajudar você a obter o cuidado que você precisa.

— Scott Smith, EMT-P, DMT


Minha próxima viagem de mergulho irá me levar para o outro lado do mundo. Toda vez em que mudo de fuso horário, eu sofro de jet lag relativamente forte, o que afeta minha capacidade de mergulhar com segurança. O que eu posso fazer para minimizar os efeitos do jet lag ?

Viagens de avião de longa distância que atravessam vários fuso horários causam a síndrome do jet lag porque nosso ritmo circadiano está fora de sincronia com o horário no nosso destino. Os sintomas incluem cansaço, fome e ficar acordado em horários errados do dia. Felizmente, em poucos dias nosso relógio interno tende a sincronizar com o ambiente. Quanto maior a diferença de fuso horário, mais intensos os sintomas da síndrome e mais tempo demora para ela passar.

Para minimizar os efeitos do jet lag, experimente as seguintes estratégias:
  • Prepare-se: Antes de sua viagem, tente alterar seu horário de ir dormir gradualmente para o horário em seu destino. Em viagens em direção a leste, vá para a cama uma hora mais cedo do que o normal a cada dia, para cada hora de diferença do fuso horário. Para tornar mais fácil adormecer, evite cafeína e álcool, e não faça exercícios nas três ou quatro horas antes de ir dormir. Levante-se cedo, e tente tomar um pouco de sol pela manhã para ajudar seu corpo a se ajustar. Quando estiver se preparando para viajar para oeste, vá dormir mais tarde e fique na cama até mais tarde.

  • Durma no Voo: Não dormir durante o voo exacerba os efeitos da rápida mudança de fuso horário. Durante o sono, sua temperatura corporal cai, e a atividade de alguns de seus hormônios se altera. Com o início da escuridão da noite, a glândula pineal no cérebro começa a secretar o hormônio melatonina, que ajuda o corpo a adormecer e permanecer dormindo. A melatonina, entretanto, não é forte o suficiente para fazer, sozinha, com que você adormeça. Para dormir durante o voo, evite álcool e cafeína, que o mantem alerta, e use tampões de orelha e vendas para reduzir o barulho e simular o escuro da noite. Se isso não for suficiente, você pode usar 0,3 a 1 mg de melatonina 30 minutos antes da hora de dormir.

  • Mantenha uma Rotina: Ao chegar ao seu destino, tente permanecer ativo durante o dia e vá dormir à noite em seu horário habitual. Pela manhã, saia no sol para ajudar a ajustar seu ritmo circadiano. É claro, se você viajar de uma área geográfica onde é verão para uma área geográfica onde é inverno, isso pode não ser possível; ao invés disso, tente começar sua manhã em uma academia ou piscina.




A melatonina pode ser encontrada como um produto vendido sem necessidade de receita médica classificado como suplemento alimentar, o que significa que não é regulamentado. A quantidade de hormônio ativo em um comprimido pode variar ligeiramente do que está declarado na embalagem, e algumas pessoas podem precisar de mais ou menos melatonina para sentir seus efeitos. Tenha em mente que melatonina demais pode na verdade ter o efeito contrário ao efeito desejado e interferir com seu sono. Uma boa regra geral com relação à melatonina é evitar tomar mais do que 3 mg de uma vez. Embora seja considerada não aditiva e segura para uso de curto prazo, melatonina demais também pode causar dores de cabeça, náusea, tontura ou irritabilidade, e ela pode interagir com vários medicamentos, incluindo anticoagulantes, imunossupressores, medicamentos para diabetes e anticoncepcionais. Se você tiver qualquer condição de saúde, consulte seu médico antes de usar melatonina.

Mergulhar no primeiro dia em seu destino provavelmente não é uma boa ideia após uma longa viagem. Para estar bem descansado para o dia seguinte de mergulho, você pode tomar melatonina na hora de dormir. Não é aconselhável participar de atividades que exijam estar alerta, como mergulhar ou dirigir, por quatro a cinco horas depois de tomar melatonina. Isso significa que se você chegar a seu destino tarde da noite e tomar melatonina após a meia noite, você provavelmente não deve fazer o primeiro mergulho da manhã.

— Petar Denoble, M.D., D.Sc.

Nos Pergunte!
A linha para Informações Médica da DAN está aqui para responder a todas as suas questões médicas relacionadas ao mergulho. Você pode falar com a equipe médica durante o horário comercial normal (segunda a sexta feira, das 9h às 17 h, horário da costa leste americana) no telefone +1-919-684-2948, ramal 222. Você também pode enviar o seu e-mail para www.DAN.org/contact.

© Alert Diver — 1º Trimestre 2015

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