Plataformas em alto mar

Batalhando para mantê-las no Golfo


Locais de mergulho populares estão entre as 359 plataformas de petróleo que serão removidas do Golfo do México em 2013.

Eu me lembro claramente da primeira vez que mergulhei em uma plataforma em alto mar. A estrutura se erguia acima de nosso barco como uma enorme fábrica, sentada sobre imensas pernas castigadas pelo clima e que desapareciam dentro do azul do Golfo do México. Olhando da superfície, não era muito atraente. Mas por entre as labirínticas estruturas submersas, descobri um mundo marinho maravilhoso. Havia corais, gorgônias, esponjas, grandes cardumes de peixe-galo e Vermelho, barracudas de um metro a um metro e meio, tubarões, pequenos peixes recifais, crustáceos e até tartarugas marinhas. A vida marinha se espalhava da linha de respingo até os 30 metros de profundidade e além, onde o azul virava um roxo escuro. Era um aquário natural sem fundo visível.
Ilhas de Vida
A parte norte do Golfo do México contém a grande maioria das plataformas do país (quase 3.000), e há mais 23 próximo ao sul da Califórnia. Apesar de chamarmos tudo de "plataforma", existe a plataforma de perfuração (uma torre de perfuração que perfura um poço) e a plataforma que é a estrutura construída uma vez que o poço está terminado. O número de plataformas começou a aumentar rapidamente na década de 1960, e elas rapidamente viraram, na prática, recifes de corais artificiais. Cientistas do governo estimam que uma plataforma típica de quatro pernas equivale a dois a três acres de habitat marinho.

"Fizemos várias pesquisas, e estas estruturas são mais importantes do que imaginávamos no inicio", disse Greg Stuntz, Ph.D., presidente da Ocean and Fisheries Health no Harte Research Institute for Gulf of Mexico Studies na Texas A&M University, Corpus Christi. "Observamos um aumento na abundância de peixes e na diversidade. Estamos confiantes neste momento em dizer que as plataformas aumentam a produtividade no Golfo".



De acordo com o biólogo marinho e produtor de filmes Soames Summerhayes, estimativas de populações de peixes em volta de cada plataforma variam entre 12.000 a 30.000 indivíduos. "Extrapole esse número usando o número de plataformas existentes, e você pode arriscar um palpite de que as plataformas são responsáveis por entre 40 a 100 milhões de peixes a mais no norte do Golfo."

Apesar deste valor potencial para o ecossistema marinho, o Departamento de Interior dos Estados Unidos (DI) requer que as companhias removam plataformas não produtivas dentro de um a cinco anos, dependendo da localização e do status da concessão de exploração. Mais de 4.000 plataformas já foram removidas do Golfo, e o ritmo acelerou depois de um comunicado do DI em setembro de 2010 lembrando as companhias da regra. Pelo menos 359 plataformas serão removidas em 2013.

Razões legítimas para a remoção de plataformas não produtivas incluem possíveis riscos a navios e potenciais respingos e vazamentos pelo envelhecimento das estruturas – riscos que aumentam se as plataformas forem danificadas ou derrubadas por tempestades. Alguns grupos ambientalistas apoiam a remoção das plataformas como forma de devolver ao Golfo um pouco de seu estado natural. Mas muitos mergulhadores, pescadores e cientistas querem manter estes oásis de vida onde eles estão.
De Plataformas a Recifes
É possível preservar essas estruturas convertendo-as oficialmente de plataforma em recifes artificias. Este processo requer a aprovação da Secretaria de Segurança e Proteção Ambiental do Departamento de Interior, uma revisão ambiental feita pela Secretaria de Gerenciamento Oceânico e Energético e a licença da Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos. Existem programas governamentais, endossados pelo governo federal, de transformação de plataformas em recifes nos estados do Texas, Louisiana, Mississippi, Alabama, Florida e Califórnia. Estes programas são mantidos pela doação, por parte dos donos das plataformas, de uma quantia equivalente à metade dos custos da remoção. Até o momento, aproximadamente 420 plataformas (10 por cento daquelas que foram removidas) foram convertidas em recifes no Golfo. A maioria foi transportada para uma área de recife designada e derrubada no fundo do mar, apesar de algumas terem sido cortadas abaixo da superfície e mantidas em seu lugar original. No Texas, das 133 plataformas convertidas em recifes até hoje, apenas 34 foram deixadas onde estavam, e todas elas foram cortadas a uma profundidade de 26 metros ou mais fundo.

O programa de transformação de plataformas em recifes não é a solução perfeita. Companhias de exploração dizem que o processo é tão moroso que pode não valer a pena. A maior parte dos recifes está a uma profundidade muito grande para os mergulhadores, enquanto outros estão no fundo de silte e portanto oferecem pouca visibilidade. Esforços estão sendo feito para resolver estes problemas; isso inclui dois pedidos de emenda atualmente no congresso (veja o quadro informativo) e pedidos oficiais de vários representantes eleitos e grupos de interesse para o secretário do DI Ken Salazar por uma moratória da remoção das plataformas.
Tesouros ou Lixo?
Plataformas em pé são os melhores locais de mergulho devido a seu perfil vertical. Um ótimo exemplo é High Island 389A, uma plataforma erguida em 1989 que acabou ficando dentro do Flower Garden Banks National Marine Sanctuary (FGBNMS) quando o santuário foi designado em 1992. Em janeiro de 2012 389A foi para a lista governamental de remoção.

Jesse Cancelmo, o primeiro a megulhar em Flower Gardens em 1977, chama a 389A de um mergulho de recife artificial de primeira linha. Cancelmo preside o Conselho do grupo de trabalho de recifes artificiais do santuário FGBNMS, que investiga alternativas a remoção completa das plataformas no santuário. A proposta de expansão do santuário pode colocar várias outras plataformas dentro de seus limites. O grupo de trabalho recomenda a remoção parcial da 389A : cortar a plataforma a uma profundidade de 20 metros — profundidade na qual os recifes naturais do santuário começam. Isso permitiria mais 6 metros de estrutura vertical comparado com a profundidade (26 metros) na qual as plataformas são normalmente cortadas. O Conselho do santuário endossou esta recomendação.



"Sempre dissemos que estamos abertos a opções para criação de recifes no local" disse G.P. Schmahl, superintendente do santuário. "Mas existem muitas questões, principalmente financeiras e legais, que dificultam estas opções". O dono da plataforma não quer a responsabilidade legal, e Schmahl disse que o governo também não. Colocar a 389A dentro do programa de transformação de plataformas em recifes é uma solução possível.

Entretanto, ainda existem aspectos negativos em deixar as plataformas no local "As plataformas não são bons habitats para corais, na verdade, e a maior parte do que cresce nelas são invasores", Schmahl disse. "As plataformas são essencialmente vetores para espécies invasoras". Enquanto outros cientistas concordam com estas alegações, alguns dizem que as invasões ocorreriam com ou sem as plataformas.

Uma questão maior é o fato de que as plataformas eventualmente vão sofrer corrosão e desabar. "Não sabemos se isso é um problema", disse Schmahl, "mas do ponto de vista administrativo é uma questão importante. Também deveríamos olhar para o planejamento espacial marinho a partir de uma perspectiva mais ampla. Quantas plataformas devemos ter? É melhor colocá-las de forma agregada em locais designados? Estas são algumas das questões que precisamos responder.

Cancelmo gostaria que cada plataforma fosse individualmente avaliada como habitat marinho antes de ser removida. "Não temos uma solução que agrade a todos" ele disse. "Existem plataformas por aí que provavelmente não merecem ser deixadas onde estão, mas existem muitas que sim. Enquanto a estrutura não oferecer riscos e a responsabilidade legal puder ser adequadamente resolvida, não há motivos para não deixar a plataforma em seu lugar". E, do ponto de vista dos mergulhadores, existem muitos motivos para deixá-las.

Vá mergulhar em uma plataforma em alto mar. Você não vai se arrepender.
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© Alert Diver — 1º Trimestre 2013

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