Perfil do Associado DAN: Bob Talbot






Cidade natal: Eagle Rock, Califórnia
Tempo de mergulho: 42 anos
Destino favorito de mergulho: Point Lobos, Califórnia (em um dia bom)
Por que sou um associado à DAN: A DAN salva vidas através da educação e da ação enquanto aprofunda constantemente nosso conhecimento sobre medicina do mergulho.

Depois que seus icônicos pôsters de rabos-de-baleia venderam milhões, o fotógrafo e cinegrafista Bob Talbot se tornou um dos principais defensores mundiais da conservação marinha. O fotógrafo e cinegrafista de 56 anos de idade, cujos filmes incluem Free Willy, Ocean Men: Extreme Dive e o documentário IMAX indicado ao Oscar Dolphins, entre outros, também trabalha no conselho do Sea Shepherd Conservation Society e preside o conselho de administração da National Marine Sanctuary Foundation.

AD: Você parece ser um daqueles raros indivíduos cujo projeto de vida se iniciou muito cedo — você começou a praticar o mergulho livre aos 8 anos, mergulho autônomo aos 13 e a tirar fotografias subaquáticas aos 14.

Talbot: Eu cresci na água e era fascinado pelo oceano. Eu mal podia esperar para começar a mergulhar. Para mim, não era um esporte. Era a maneira de explorar um outro mundo que estava logo ali no nosso quintal.


Fotos de mamíferos marinhos, especialmente orcas e baleias, definem os primeiros trabalhos de Talbot e foram grandes sucessos no mercado de pôsters.
AD: Houve algum momento ou evento no qual tudo fez sentido para você e você soube que era isso que você queria?

Talbot: Eu me inspirava em Jacques Cousteau desde muito jovem, mas eu não tinha certeza do que eu queria fazer até que tive a minha primeira câmera — a Nikonos II — quando eu tinha 14 anos. Alguns anos mais tarde, em 1977, um grupo de amigos e eu rebocamos um bote inflável de 16 pés até a Ilha de Vancouver para mergulhar com as orcas. Naquele momento não conhecíamos ninguém que tivesse feito aquilo. Nós tivemos alguns encontros com orcas e tiramos algumas fotos até que um motor de popa quebrado acabou com nossa viagem.

Dois anos depois daquilo, eu voltei para Johnstone Strait com uma câmera Bolex 16mm manual. Uma tarde uma orca nadou em círculos ao meu redor por cerca de 10 minutos e não me deixava voltar para o barco. Foi um pouco perturbador, mas eu consegui filmar alguns minutos. Naquela altura todos estavam exaustos, e voltamos para o acampamento. O vento havia diminuído e o estreito parecia vidro. Um grupo de orcas estava alinhado, viajando na direção oposta com seus sopros em direção à Ilha de Vancouver. Viramos o barco e tiramos algumas fotos antes do sol desaparecer atrás da ilha. Aquela filmagem, que foi mais tarde usada em um especial do Cousteau, lançou minha carreira de cineasta, e as fotografias que eu tirei naquela tarde se tornaram dois dos primeiros pôsters que eu publiquei.

AD: Você lançou sua carreira a partir daquelas aventuras iniciais.

Talbot: Meu trabalho se desenvolveu a partir da vontade conscientizar as pessoas sobre o ambiente marinho. Quando estou na água, e eu vejo essas criaturas fantásticas, eu só quero abraçar o mundo e dizer, "Vocês precisam ver isso". Naquela época eu pensava que se conseguisse transmitir através de uma fotografia a experiência de estar com aqueles animais, o mundo se sentiria obrigado a protege-los. Claro que eu compreendo agora que nem sempre as coisas caminham para isso, mas esse era o meu sentimento na época como um jovem idealista — e em muitos aspectos ainda é. Então agora eu me dedico a contar histórias que eu espero irão inspirar as pessoas a proteger o ambiente marinho.


Talbot utiliza uma gaiola auto propulsora para filmar tubarões-brancos próximo a Ilha de Guadalupe.

AD: Na última vez que entrevistamos você, você havia acabado de voltar junto com o Sea Shepherd de uma ação de oposição à caça indígena americana às baleias no Santuário Marinho Nacional da Costa Olímpica (Olympic Coast National Marine Sanctuary). Agora, 15 anos depois, a Corte Internacional de Justiça acabou de declarar as operações de caça às baleias do Japão na Antártida ilegais e ordenou a sua interrupção. Isso deve ser recompensador.

Talbot: A recente decisão da corte foi importantíssima! Ironicamente, ela veio no meio de uma grande batalha legal entre os caçadores de baleias japoneses e a Sea Shepherd dos Estados Unidos. Os baleeiros processaram o Paul (fundador Paul Watson), a organização, uma pessoa de nossa equipe e vários dos membros do conselho, incluindo eu. Tem sido uma grande confusão jurídica e uma interrupção cara e demorada de nosso trabalho. Essas questões legais podem parecer relativamente pequenas dentro do grande esquema das coisas, mas elas são muito relevantes para as baleias e para o ativismo.

AD: Você também é o presidente do conselho administrativo do National Marine Sanctuary Foundation (NMSF). Por que você escolheu dedicar seu tempo ali?

Talbot: A razão pela qual eu apoio os santuários é que eles são provavelmente a nossa melhor ferramenta para realizar uma mudança real neste país. Quando eu era mais jovem eu pensava que a noção de "Pense globalmente e aja localmente" era um tipo de desculpa. Mas eu acabei percebendo que a única chance que nós temos de salvar o oceano é salvar um pedaço de cada vez.

Os santuários são nossa melhor matriz para proteger os ecossistemas neste país. O novo programa de indicação de santuários irá permitir que as comunidades no país se envolvam na criação de novos santuários. E é aí que eu vejo esperança. Eu vejo esperança nas pessoas se responsabilizando por seus pequenos pedaços de oceano e brigando por eles.

AD: Eu acho interessante que você trabalhe com a NMSF, que é bastante conservadora, e ao mesmo tempo trabalhe com a Sea Shepherd Conservation Society, que é tudo menos conservadora.

Talbot: Para mim, o importante é ser eficiente. Existem questões que são melhor abordadas ao se trabalhar através do sistema. Existem outras que exigem ações diretas. A maioria dos problemas exige múltiplas formas de ataque. Eu tento não ficar muito compartimentalizado em uma posição ou em outra. Eu faço o que posso, onde posso.

AD: Se você fosse recomendar uma coisa que os leitores da Alert Diver podem fazer para ajudar, o que seria?

Talbot: Se existe uma coisa que eu diria a eles — e isso pode ser inesperado para muitas pessoas — seria para prestar atenção ao que eles comem. O que nós comemos afeta o meio ambiente mais do que qualquer outra coisa que fazemos, especialmente quando se trata de questões como emissões de carbono, pesca, escoamento e poluição. Quanto mais baixo na cadeia alimentar nós comemos, melhor é para o oceano e para o ambiente. Eu sei que não é realista esperar que todos se tornem vegetarianos ou veganos do dia para a noite, mas diminuir a quantidade de proteína animal que você ingere diariamente é provavelmente a coisa mais eficiente que você pode fazer para melhorar o meio ambiente.
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© Alert Diver — 3º Trimestre 2014

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