Perfil do Associado DAN: Michael Barnette




Barnette segura um decanter de cristal recuperado do veleiro Kingsbridge, que afundou no Canal da Mancha a uma profundidade de 85 metros em 1874.

Cidade natal: Fredericksburg, Virginia.
Tempo de mergulho: 24 anos
Destino favorito: O próximo naufrágio misterioso!
Por que sou um associado à DAN: Eu tenho a tendência a brincar na parte mais funda da piscina e em áreas bastante remotas do mundo, e eu reconheço que os custos da remoção e do tratamento médico podem enterrar financeiramente uma pessoa despreparada. Além disso é ótimo ter acesso à riqueza de conhecimentos médicos e informações que são apresentadas nas páginas da Alert Diver.

Michael Barnette é um biólogo marinho cuja paixão pelo mundo subaquático influencia todos os aspectos de sua vida. Além de viajar o mundo protegendo as tartarugas marinhas pelo NOAA, Barnette é um ávido fotógrafo subaquático, historiador e autor. Membro do The Explorers Club (Clube dos Exploradores) e fundador da Association of Underwater Explorers (AUE) — Associação de Exploradores Subaquáticos-, ele tem participado da identificação de dúzias de naufrágios, assim como de um habitat de coral de águas profundas único no Golfo do México.

AD: Mike, você realiza inspeções de dispositivos de exclusão de tartarugas em todo o mundo. O que o trouxe para o campo da biologia marinha?

Barnette: Eu sempre fui fascinado pela água e pelo oceano em particular. Assim como muitas outras crianças, eu ficava encantado com documentários na televisão sobre explorações subaquáticas e biologia marinha, como The Undersea World of Jacques Cousteau e The Living Planet, narrados pelo icônico David Attenborough. Eu acho que eu tive sorte, pois desde pequeno sempre soube que eu queria ser um biólogo marinho.


A 67 metros de profundidade Barnette mergulha no Justicia, que foi afundado por submarinos em 1918 próximo a Malin Head, Irlanda.
AD: Você identificou muitos naufrágios em sua carreira. Qual o seu primeiro passo ao começar um novo projeto?

Barnette: Pesquisa, pesquisa e depois mais pesquisa; muito progresso é alcançado em buscas em registros de navegação e reportagens de jornais antigos. Isto provavelmente funciona mais do que pura sorte ao mergulhar. Eu tento aprender o máximo que posso sobre um novo local com aqueles que já pescaram e mergulharam lá antes, e então eu vou para os meus arquivos e esboço uma lista de possíveis suspeitos. Ao longo dos anos eu colecionei milhares de artigos de jornal antigos, imagens de navios históricos e outros registros que podem ajudar na identificação de um naufrágio. Algumas vezes eu tenho uma ideia muito boa de como um naufrágio pode ser mesmo antes de mergulhar no local. Em outras circunstancias, como quando eu mergulho em um naufrágio misterioso totalmente desconhecido, eu tento coletar o máximo possível de informações durante o mergulho. Isto inclui estimar as dimensões do navio, avaliar o tipo de motor e reconhecer outras características diagnosticas visíveis. Se eu conseguir fazer isto enquanto tiro fotos ou filmo, melhor ainda.

AD: Você já se surpreendeu com o que encontrou, tanto em suas pesquisas quanto ao mergulhar em um naufrágio?

Barnette: Eu definitivamente tive a minha cota de surpresas em ambas as atividades. As vezes o momento do sucesso na identificação de um naufrágio surge ao vascular os arquivos, como quando eu encontrei provas de que um naufrágio misterioso próximo a Islamorada era o barco a vapor Queen of Nassau (antigamente o CGS Canada). Eu estava na Biblioteca Pública de Miami, seguindo as pistas que um colega havia descoberto, quando eu encontrei um artigo de jornal de 1926 que fez a conecção. Eu ainda me lembro do momento - eu estava extasiado, e saí correndo para ligar para meu colaborador no projeto para informa-lo do que havia sido encontrado. Houve muitos outros momentos similares a este, como o meu primeiro mergulho em um naufrágio misterioso que descobriu-se ser o histórico navio de carga City of Everett.

Nós fomos levados ao naufrágio não identificado a 240 quilômetros da costa no Golfo do México por alguns pescadores. Eles juraram que era um naufrágio enorme, e eu pensei que poderia ser o navio cargueiro desaparecido Norlindo, que foi a primeira baixa da II Guerra Mundial no Golfo do México. Aparentemente a minha decepção estava evidente ao marcarmos o naufrágio no sonar deles: era um naufrágio raso e extremamente improvável de ser o Norlindo. Nós mergulhamos mesmo assim, e ficamos surpresos ao tropeçar no muito mais histórico City of Everett.

Da mesma forma, eu estava viajando com um pescador comercial procurando por naufrágios a aproximadamente 90 metros de profundidade no Golfo do México em 2005. A busca foi um fracasso, mas alguns dias depois nós estávamos sobre um paredão quando o capitão me perguntou se eu queria mergulhar para relaxar. Eu entrei na água para fazer um mergulho rápido e relaxante a 73 metros. Eu fiquei estupefato quando vi colônias importantes do coral Oculina varicosa — um coral de águas profundas conhecido por ocorrer em abundância apenas na costa leste da Florida. Portanto, as vezes as descobertas resultam de uma abordagem sistemática, e as vezes são apenas pura sorte.


Barnette explora Madison Blue Springs, na Flórida.

AD: O quão importante foi encontrar Oculina varicosa no Golfo?

Barnette: Bastante importante, eu suponho, pois isto expandiu o conhecimento geral sobre a espécie e preencheu lacunas importantes nos dados relacionados à conectividade da espécie. Nós acreditamos que o habitat de águas profundas que identificamos no golfo esteja produzindo as larvas que colonizam os hábitats "a jusante" como aqueles próximos à costa leste. Nós descobrimos que o coral no golfo é geneticamente idêntico ao coral na costa leste, o que ajuda a corroborar esta teoria. A identificação também pode ajudar nos esforços de gerenciamento de conservação e redução de possíveis impactos na espécie.

© Alert Diver — 2º Trimestre 2014

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