Perfil do Associado DAN: Chuck Nicklin




Nicklin encontra um grande tubarão-branco no sul da Austrália durante as gravações da série televisiva Oceanquest.


Cidade natal: San Diego, Califórnia
Anos de mergulho: Mergulho autônomo: 61; mergulho livre: 66
Destino de mergulho favorito: Papua-Nova Guiné. Oferece as oportunidades de mergulho mais variadas. Experimentei — incluindo lama (muck diving), tubarões, recifes, naufrágios — tudo.
Por que sou um associado da DAN: Algum dia, algo pode me acontecer em algum lugar maluco, e eu posso precisar dela.

Você acha que não conhece o cinegrafista subaquático Chuck Nicklin? Pense novamente. Se você já assistiu a um filme de James Bond, então deve ter visto alguma sequência subaquática filmada por Nicklin. Se você possui uma câmera subaquática, há boas chances de ter lido um artigo ou assistido a uma aula de algum fotógrafo que trabalhou com ele. Sua empresa de mergulho (a famosa Diving Locker, em San Diego, Califórnia), sua fotografia e sua produção de vídeos estão no coração da história do mergulho, e essa influência continua ainda hoje.

Alert Diver: Vamos falar de número e fatos primeiro. Eu tenho de saber — quantos mergulhos você tem registrados? E onde você fez o seu mergulho mais frio e o seu mergulho mais quente?
Chuck Nicklin: Sempre escrevo 5.733 como meu número de mergulhos, mas, sinceramente, não tenho a menor ideia. Meu mergulho mais frio foi embaixo de 2,75 m (9 pés) de gelo na Antártida; acho que a temperatura estava em torno de -2,8 °C (27 °F). Meu mergulho mais quente foi em Papua-Nova Guiné, com água a 30,5 °C (87 °F).

AD: Qual foi a sua experiência aquática mais memorável?
CN: Minha experiência mais memorável foi a primeira vez em que mergulhei com baleias-corcundas no Havaí. Nunca me esquecerei da primeira vez em que vi uma baleia-corcunda vindo em minha direção.

AD: Você foi um dos fundadores da Diving Locker. Pelas histórias que ouvi e pelas fotos que vi, parece inadequado chamá-la de operadora de mergulho — ela inspirou o estilo de vida do mergulho na Califórnia e fez muito mais.
CN: A Diving Locker abriu em junho de 1959. Naquela época, não havia muito acontecendo em termos de mergulho nos EUA. A maioria das pessoas ainda não estava acompanhando muito Jacques Costeau, mas, para quem estava, o mergulho realmente abria um mundo de possibilidades. Houve o ataque de um grande tubarão-branco em La Jolla Cove na véspera da nossa inauguração — o timing não poderia ter sido mais terrível. Acho que, no dia em que abrimos, vendemos três ou quatro revistas Skin Diver e mais nada. Não muito tempo depois, Costeau veio pessoalmente à loja para apresentar seu filme The Silent World para nossa primeira turma.

AD: A Diving Locker produziu muitos fotógrafos subaquáticos famosos. Isso é parte do que se destaca para você em relação àquela época?

Nicklin usando seu primeiro sistema de câmeras, um Rolleimarin.
CN: De alguma forma, sim. Ron Church, um grande amigo e ótimo fotógrafo, trabalhava comigo. Ele tinha uma Rolleimarin [uma caixa estanque para a câmera Rolleiflex de tamanho médio] e a dividia comigo. Tínhamos 12 exposições por mergulho para os dois, então cada um de nós podia fazer seis fotos. Marty Snyderman [veja Fotógrafo, na página 92] é outro fotógrafo famoso que trabalhou na Diving Locker, bem como Howard Hall e meu filho, Flip. Ao longo dos anos, muitos jovens trabalharam para mim. Era a primeira vez que eles viam como funcionava uma empresa, e eu realmente gostava daquela parte do trabalho. Eu gostava de ajudar aqueles garotos a progredir no mundo real. É ótimo ouvir falar de pessoas que trabalharam comigo naquela época e hoje são bem-sucedidas em suas vidas profissionais, dentro ou fora do mergulho e da fotografia.

AD: Posso citar vários fotógrafos que o reconhecem como mentor. Lembro-me de tê-lo visto na primeira vez que fui a um clube de fotografia subaquática local em San Diego. Fiquei bastante surpreso ao ver Chuck Nicklin, um dos pioneiros da fotografia subaquática, sentado na frente da sala.
CN: Ainda frequento reuniões de clubes de fotografia e cinegrafia subaquática locais. Qualquer um pode comprar uma câmera, entrar em um barco ou sair para um mergulho. Mas nem todo mundo consegue ver "a foto". Tento me esforçar para incentivar os fotógrafos sérios.

AD: Há alguns meses, vi uma foto com você, Al Giddings e Stan Waterman que estava circulando na mídia. Vocês três pertencem àquela que pode ser considerada a primeira geração de fotógrafos subaquáticos. Como foi isso, e como mudou?

Al Giddings (à esquerda), Nicklin e Stan Waterman


CN: Foi engraçado. Al e eu estávamos nas ilhas Salomão, e encontramos Stan no aeroporto de Honiara totalmente por acaso. É claro que está faltando uma pessoa importante naquela foto: Jack McKenney. Lembro quando nós quatro estávamos trabalhando com mergulho nos EUA ou nas Bahamas como pescadores submarinos e, então, nos demos conta de que havia uma oportunidade em fotografia e passamos a fotografar ao invés de pescar. Penso naquele período como a "era do filme". Agora tudo é digital, você pode construir um nome com um pouco de sorte e exposição nas redes sociais, mas, naquela época, esse não era o caso. Havia muita competição na fotografia subaquática e, para entrar naquele mundo, você realmente precisava conhecer alguém.


Chuck Nicklin atrás da câmera.
AD: Você trabalhou para a National Geographic nos primeiros anos — é uma grande porta pela qual se entrar. Como você conseguiu?
CN: Um dia, estava mergulhando com amigos em La Jolla, na Califórnia, e cruzamos com uma baleia-de-bryde presa em uma rede de emalhar. Subi nas costas da baleia para liberá-la e meu dupla Bill DeCourt tirou uma foto minha. Aquela foto foi publicada em todos os lugares, então a National Geographic quis preparar uma matéria sobre baleias e enviou o fotógrafo Bates Littlehales para aprender conosco a fotografar baleias. Bates começou a me contratar como seu assistente para outras fotos, e o resto é história.

AD: Li um artigo sobre você, há alguns anos, que descrevia sua habilidade para dormir em qualquer lugar. Imagino que isso seja útil de vez em quando.
CN: Lembro de quando estava filmando The Deep (O Fundo do Mar, 1977) em Bermuda. Tínhamos umas cabanas de madeira compensada, uma para cada um dos atores principais, e uma para o pessoal de câmera. Al [Giddings] mantinha a nossa bem arrumada, o que era realmente ótimo para mim. Havia uma bancada para a câmera com uma prateleira embaixo dela. Algumas toalhas cobriam a parte de cima, então eu conseguia simplesmente me encaracolar naquela prateleira escondida e dormir sempre que fazíamos uma pausa nas gravações. Os outros acabavam muitas vezes frustrados e queimados pelo sol, mas eu não!


Nicklin durante sua investidura no Hall da Fama do Mergulho
Autônomo Internacional.
AD: Você fez alguns trabalhos em filmes para o cinema: The Deep (O Fundo do Mar), The Abyss (O Segredo do Abismo), alguns filmes de James Bond. Do que você mais se lembra?
CN: De cuspir na máscara de Sean Connery para limpá-la para o close durante as gravações de Never Say Never Again (Nunca Mais Outra Vez).

AD: É tudo o que você vai nos contar? Ouvi dizer que está trabalhando em um livro. Ele incluirá mais sobre suas experiências com filmes?
CN: Minha esposa, Roz, e eu estamos muito entusiasmados com meu livro — ela me ajudou a editar a maior parte dele. É sobre a minha carreira na fotografia subaquática, incluindo algumas histórias de bastidores dos filmes para o cinema, além de relatos sobre mergulho, viagens e preservação. Ao contar essas histórias, espero poder inspirar as pessoas a mergulhar e viajar, para ver lugares novos e ter novas experiências e, quem sabe, ganhar um novo olhar sobre a vida.
Explore mais
Assista à entrevista de Chuck Nicklin para a Outside Television.



Nicklin foi homenageado com o Prêmio Reaching Out (Alcance) do DEMA em 2010. Saiba mais sobre suas realizações no vídeo do DEMA sobre ele.



© Alert Diver — 3º Trimestre 2015


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