Peixe-Leão

Gestão da Invasão


Um novo método de marcação de peixe-leão em profundidade elimina problemas associados a barotrauma,
anestesia e deslocamento, melhorando os dados que os pesquisadores coletam sobre deslocamento, padrões de
movimento e crescimento.


Por que raios alguém pegaria um peixe-leão invasor apenas para soltá-lo novamente? Documentado pela primeira vez ao longo da costa leste da Flórida em 1985, provavelmente como resultado de descartes de aquário, o peixe-leão do Indo-Pacífico se espalhou rapidamente por todo o Atlântico Ocidental, Caribe e Golfo do México. A invasão provavelmente continuará pela América do Sul através do Brasil. Muito se sabe agora sobre o peixe invasor, incluindo sua distribuição, reprodução, predação impactos e genética, tudo rigorosamente estudado cientificamente.

Os mergulhadores e a indústria de mergulho têm sido muito eficazes no controle de populações de peixe-leão em alguns locais por meio de remoções regulares e contínuas, mas a erradicação não é possível neste momento. Eventos de pesca de um dia, como competições de coleta de peixe-leão, foram capazes de remover grandes porcentagens de peixes-leão em uma grande área, mas a recolonização pode ocorrer em poucos meses. As remoções de peixe-leão foram incentivadas pelo estabelecimento do peixe-leão como uma boa carne para se comer, mas os esforços de remoção até agora foram como "aparar a grama", sem solução a longo prazo à vista. Muito trabalho está agora focado em pesquisar ferramentas e técnicas de controle mais eficazes, incluindo armadilhas específicas para peixe-leão, atrativos e outras abordagens de alta tecnologia, como rovers de águas profundas, aspiradores submarinos e muito mais. Entretanto, mais informações sobre o peixe-leão ainda são necessárias, para melhorar os esforços de controle e projetar novas ferramentas de remoção, o que explica por que soltamos o peixe-leão.

Informações essenciais sobre qualquer espécie invasiva incluem quando, porquê e quanto eles se deslocam. Quando uma área é limpa, o peixe-leão a recoloniza através do recrutamento de juvenil e de peixes adultos que se deslocam para o território. Saber o quanto o peixe-leão se desloca é uma das chaves para projetar programas de remoção por mergulhadores eficaz, e uma das melhores maneiras de determinar o deslocamento é através de um estudo de marcação e recaptura. Mas marcar um peixe-leão pode ser complicado.




Manusear um peixe venenoso é sempre um desafio, mas cutucar e perfurar um com uma etiqueta de marcação pode ser realmente perigoso. A maioria dos métodos tradicionais de marcação envolve a captura do peixe usando uma armadilha ou rede, seguida de uma longa e lenta ascensão para minimizar a expansão da bexiga natatória e o barotrauma associado. Uma vez na superfície, os peixes são sedados com um tipo específico de anestesia. Em seguida, a marcação é aplicada e o peixe mantido em recuperação, o que às vezes pode envolver um longo período de tempo. (A Food and Drug Administration dos EUA exige um período de retenção de 28 dias para peixes comestíveis que tenham sido sujeitos a anestesia). Quando os peixes são finalmente soltos, pode haver deslocamento significativo, assim como mudanças comportamentais devido à sua longa ausência.

Em 2008, pesquisadores da Reef Environmental Education Foundation (REEF), juntamente com cientistas da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e profissionais de aquário, iniciaram um novo método de marcação de peixe-leão para eliminar barotrauma, anestesia e deslocamento. Um artigo de 2014 na revista Ecology and Evolution descreve a metodologia e a utilidade da nova técnica, incluindo imagens passo a passo e vídeo http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ece3.1171/full.

O artigo descreve um estudo conduzido pelo REEF demonstrando que este novo método de marcação tem o potencial de ajudar a responder a questões-chave relacionadas ao deslocamento dos peixes.

No estudo, os mergulhadores coletaram peixes-leão utilizando redes de mão em três áreas diferentes nas Bahamas. Eles colocaram marcações visuais Floy (tiras finas de plástico com números de série e informações de contato) usando o protocolo subaquatico descrito no artigo. O procedimento de marcação levou aproximadamente três minutos por peixe, e os peixes marcados foram soltos de volta em seus locais de captura originais em minutos. O peixe-leão suportou o procedimento de marcação extremamente bem; nenhuma mortalidade pós-marcação ou comportamento incomum foi documentado em qualquer peixe.




Avistagens de peixe-leão feitas por mergulhadores que visitavam a área de marcação e recifes próximos forneceram uma indicação do sucesso do trabalho de marcação. Dos 161 peixe-leão marcados, 24 por cento foram avistados novamente ou recuperados entre 29 e 188 dias após a marcação. Desses, 90 por cento foram encontrados no mesmo local onde foram marcados inicialmente. Dos peixes que se locomoveram, o movimento foi principalmente entre fragmentos de recifes em águas rasas.

Embroa 24 por cento seja uma taxa de retorno extremamente elevada para um estudo de marcação e recaptura, podemos nos perguntar o que aconteceu com os outros 76 por cento dos peixes-leão marcados. Alguns podem ter morrido ou sido comido, alguns podem ter se deslocado para muito além da área de pesquisa, e outros podem ter migrado para o fundo da parede para além dos limites do mergulho recreativo. Para os peixes marcados neste estudo inicial, nunca saberemos.

Para ajudar a diminuir essa incerteza, alguns pesquisadores estão usando agora tags de transmissão acústica implantados cirurgicamente e receptores remotos que monitoraram a posição dos peixes-leão 24 horas por dia. Os procedimentos cirúrgicos utilizados na marcação acústica seguem de perto o método de marcação visual e estão provando ser muito bem-sucedidos em ensaios iniciais. As principais diferenças entre os dois métodos de marcação são que o procedimento cirúrgico requer a sutura dos peixes marcados após a inserção da marcação, que tem aproximadamente o tamanho de uma bateria AAA, e também que ele envolve um tempo de procedimento ligeiramente mais longo — aproximadamente cinco a seis minutos por peixe. Um estudo mais detalhado usando uma matriz de recepção acústica está planejado para este verão e fornecerá dados de movimento contínuo para uma resolução de aproximadamente 1 metro.

Na ciência, assim como na vida, quanto mais aprendemos, mais perguntas temos. À medida que a invasão de peixe-leão avança, a necessidade de informações sobre novas ferramentas e tecnologias para gerenciamento e remoção continua a aumentar. Combinar os esforços dos mergulhadores com o conhecimento adquirido através de projetos de pesquisa aumenta nossa capacidade de combater a invasão de forma mais eficaz e proteger a nossa vida marinha nativa de um peixe que não pertence a esta parte do mundo.
Fatos sobre o Peixe-Leão
Distribuição: Carolina do Norte até a Venezuela; águas rasas até 300 metros de profundidade
Densidade: mais de 200 por acre (até 1.200 por acre em alguns locais)
Reprodução: 12.000 a 40.000 ovos a cada dois dias, durante todo o ano em águas mais quentes
Tamanho máximo: 18,77 polegadas (medida oficial); 20,47 polegadas (medida não oficial)
Idade do espécime de 18,77 polegadas: 4 anos, 9 meses
Idade máxima: até 15 anos (Um espécime em um aquário viveu por 30 anos.)
Patrimônio genético: apenas 9 haplótipos em todo o território invadido
Sucesso de remoção: Dois mergulhadores removeram 815 peixes-leão em um evento de competição de coleta de um dia em Jacksonville, Flórida, em 2015. Competições de coleta foram capazes de reduzir as populações de peixe-leão em cerca de 70 por cento em 58 milhas quadradas nas Bahamas.

Para mais informações, visite REEF.org/lionfish or facebook.com/REEFLionfish.
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Assista aos videos Divers Fight the Invasive Lionfish e Tips for Lionfish Removal.





© Alert Diver — 2º Trimestre 2016

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