Os Grandes Pequenos




Supermacro não é apenas para as coisas minúsculas – assuntos maiores, como este nudibrânquio Glossodoris cincta, fotografado com uma diopter pode preencher completamente o quadro para criar uma imagem dramática.


No passado, tirar fotografias além do 1:1 – isto é, maiores do que tamanho natural do ser – era difícil. Lentes magnificantes (conhecidas como dioptrias) podem ser colocadas na frente das lentes macro por dentro da caixa estanque, mas dessa forma o mergulho inteiro terá que ser dedicado à fotografia de pequenas criaturas, já que essas dioptrias não poderiam ser removidas debaixo da água. Lentes macro que são colocadas pelo lado de fora da caixa estanque, podem se molhar e ser removidas e colocadas durante um mergulho, mas o nível de magnificação é marginal. Entretanto, nos últimos anos, com a introdução de lentes subaquáticas apocromáticas, dioptrias de diversas potencias têm conseguido uma magnificação eficiente para imagens de alta qualidade. Esta nova ferramenta tornou a fotografia supermacro uma realidade para qualquer um que deseje ir além do 1:1.

Uma diopter subaquática aumenta a magnificação ao diminuir a distância de trabalho da lente. Isto faz com que uma lente maior (tipo 100mm ou 105mm) seja a escolha ideal. Magnificação além do 1:1 também pode ser conseguida com uma lente macro 60mm, mas isto pode tornar a distância de trabalho entre o port e o assunto muito curta, tornando difícil iluminar o modelo com uma iluminação tipo estrobo, além do que criaturas mais sensíveis poderão ficarão receosas. Usar uma lente macro maior permite que você mantenha uma distância respeitosa da vida marinha e oferece espaço para uma visão mais criativa com o uso das luzes. Os conjuntos mais populares contêm uma lente externa colocada através de um sistema basculante. Essa configuração permite que o fotografo fotografe sem magnificação adicional aquelas criaturas maiores ou mais sensíveis, ou que instale a diopter para chegar perto de criaturas menores.


Uma brincalhona lula pigmeia (Idiosepius pygmaeus) descansa sobre um
urocordado azul cobalto. Detalhes coloridos de assuntos supermacro podem
não ser observados sem o uso de uma diopter.
Parafraseando David Doublet, "Se não consegue fotografar assuntos exóticos, então fotografe assuntos comuns de uma forma exótica." A fotografia supermacro vai persistentemente desafiar suas habilidades como fotografo e como mergulhador. Até mesmo procurar assuntos supermacro é desafiador. Fotografar supermacro vai com certeza trazer diversidade visual e pode adicionar um sabor exótico a um portfólio comum.

Idealmente, o objetivo é capturar imagens diretamente através da câmara – e não através de cortes criativos feitos no pós-processamento. Isso garante a mais alta resolução das imagens e, consequentemente, a opção de grandes ampliações. Câmaras modernas de alta resolução, como a EOS 5DS e a Nikon D810, proporcionam grandes arquivos, o que torna os cortes aceitáveis. Mas a pureza da disciplina estabelece que composições e capturas sejam as mais próximas do resultado final.

Quando estiver no campo da supermacro algumas considerações técnicas devem ser lembradas. Magnificar o assunto e criar imagens supermacro altera significativamente a profundidade de campo, a composição e a iluminação.
Profundidade de Campo (PC)
Para aumentar a PC a maioria dos fotógrafos começa ajustando a abertura, ou f-stop. Quanto maior o número, menos luz entrará através da íris da câmera e maior a PC. Mas isto tem um custo: a luz ambiente é diminuída, e o fundo pode ficar escuro. Isto é um efeito legal algumas vezes, mas nem toda a imagem supermacro se beneficia de um fundo negro. O fotografo criativo saberá como trazer mais luz ambiente para a imagem através da abertura ou da velocidade do obturador e assim controlar o quão claro ou escuro o fundo vai aparentar. Uma abertura muito pequena pode suavizar a imagem por conta da difração. Uma imagem pode até ser mais nítida em f/11 do que em f/32, mas a PC não será tão boa. Imagine uma pequena moreia, por exemplo. Você pode conseguir detalhes muito nítidos dos seus olhos em f/11, mas se a intenção da composição é que tanto os olhos quanto o focinho fiquem nítidos talvez você queira utilizar f/32. Um pequeno aumento no ISO também o ajudará a fotografar com f-stops mais altos ao amplificar a iluminação disponível. Conhecimento da ciência óptica vai ajudá-lo a traduzir a imagem da sua cabeça em pixels da sua câmara digital.
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Mushroom-coral pipefish (Siokunicthys nigrolineatus) são modelos de corpo alongado e de interessantes feições. Fotografar objetos de frente pode produzir efeitos dramáticos na profundidade de campo.


Composição
Considere o fato de que todas as lentes têm um ponto ideal, geralmente no centro. Nem todas as diopters subaquáticas são iguais quanto a isto; algumas oferecem grandes áreas de maior nitidez. Entretanto, não importa que lente está sendo usada, há sempre uma forma de se esquivar daquela fotografia onde o sujeito está bem no centro da imagem. Algumas composições se beneficiam de um sujeito centralizado, mas outras requerem que o assunto principal esteja em outra parte da imagem. Ao utilizar o foco automático, o fotografo precisa mudar a área de autofoco para a porção da imagem que requer a maior nitidez. Muitos entusiastas de supermacro preferem focar manualmente, talvez levando a lente para a sua magnificação máxima e depois se movimentando em direção ao assunto até que a parte da composição deseja esteja focada.
Iluminação

Um pink ladybug (isópode) se apresenta sob a copa de um hidróide.
Hidróides são um ótimo lugar para se procurar pequenos assuntos supermacro.
Ao fotografar macro e supermacro a iluminação é critica tanto para a exposição quanto para a composição. Por conta das pequenas distancias de trabalho, algumas questões técnicas como o backscatter (partículas em suspensão na água que são iluminadas pelo estrobo) são minimizadas. Isto é providencial já que muitos assuntos supermacro são encontrados em lugares com baixa visibilidade e muitas partículas em suspensão. Gosto de manter as coisas simples e na maioria das vezes utilizo a velocidade do obturador a mais alta possível. Isto minimiza a luz ambiente, mas a composição está quase sempre tão junta que está tudo sendo iluminado pelo estrobo de qualquer forma. Isto me permite concentrar no f-stop, posição do estrobo e composição.

Meus estrobos costumam estar angulados para que não fiquem direcionados diretamente ao assunto. Uma luz separada dos estrobos é extremamente importante para esta configuração. Muitas vezes uso um único estrobo sobre o assunto, direcionando-o ligeiramente para trás em direção à caixa estanque para que a maior parte da luz fique sombreada pela caixa. Apenas uma pequena cortina de luz ilumina o assunto. A angulação do estrobo pode ajudar a reduzir a luz de fundo, mesmo em um arrecife raso. Em alguns casos uso um objeto que dá forma à luz, como um snoot (ver alertdiver.com/Unique_Techniques) para eliminar um fundo que possa ser distrativo.

Às vezes quero grandes e luminosas imagens macro e necessito de uma iluminação que preencha tudo. Nesses casos utilizo um estrobo primário e um secundário (normalmente configurado com uma potência menor) como luz de preenchimento. Iluminar o fundo com uma terceira fonte de luz pode fazer a sua imagem se destacar das demais.

Antes do seu próximo mergulho tente conhecer o seu sistema um pouco mais a fundo. Identifique e aprenda como trabalhar com os pontos fracos de sua câmera. Aprender a tirar um pouco mais de seu sistema pode ser tão simples quanto experimentar. Aqui vão algumas coisas que fiz para melhorar a minha câmera, usando a lógica e a experimentação.

Aprenda a fixar o foco de sua câmara. Isto pode ser uma ferramenta em fotografias muito rápidas. Assim que obtiver o foco correto ajuste o foco crítico com movimentos sutis da câmara (ou os movimentos do assunto).


Estes enormes embriões de peixe palhaço foram fotografados com uma série de diopters, magnificando a imagem (além do 1:1). Utilizando iluminação externa para iluminar o assunto por trás cria imagens macro vividas e revela ainda mais detalhes.


Pratique focar, fixar o foco, ajustar e a disparar enquanto presta atenção ao foco crítico. Lembre-se que o que vemos através das lentes e diopters é equivalente a abertura máxima da lente, normalmente f/2.8 para uma lente macro de uma câmera SLR. Com prática você vai se acostumar com a diferença entre aquilo que observa no visor e aquilo que as lentes e as configurações capturam.

Qualquer lente aparenta deixar as coisas mais escuras à medida que a abertura diminui, pela razão óbvia de que menos luz está chegando. Para eliminar o problema de focar nessas condições câmeras modernas têm diafragmas automáticos e só quando vão capturar a imagem é que diminuem a abertura. A PC da imagem vai sem dúvida ser melhor do que aquela observada pela simples razão de que raramente uma imagem macro seria exposta em grandes aberturas. Nesse caso, a PC só será revelada mais tarde, quando a imagem final for observada.

Pense no seu sensor como um espaço triangular tridimensional onde o seu assunto será fotografado. Da esquerda para a direita é o plano de campo, e da frente para trás é a profundidade de campo. Após focar você pode recompor a imagem para fugir da composição centralizada. Abaixar também é importante para expor o habitat da criatura e ter uma visão mais intima do seu mundo. Fotografar um assunto de frente para trás vai sempre criar uma queda na nitidez através da PC. Fotografar o assunto no plano paralelo ao do sensor da câmera vai maximizar o foco nítido de mais áreas da imagem.

Um bom controle de flutuabilidade e sensibilidade para com os frágeis corais, é claro, é extremamente importante na fotografia supermacro. Normalmente demora algum tempo para nos aproximarmos gradualmente de criaturas enigmáticas e sensíveis, e pode ser tentador nos ajoelharmos no fundo no processo. É sempre melhor mergulhar sem entrar em contato com o fundo e garantir que as nadadeiras e os instrumentos não entram em contato com o frágil coral.

Ir além do 1:1 não é tão difícil como se pensa; é uma questão de prática, determinação e um bom olho para encontrar assuntos. Lembre-se de ser paciente com você mesmo, divirta-se e tente aplicar algumas destas técnicas para ajudar.

© Alert Diver — 3º Trimestre 2016

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