Ocean Views 2014 — O Poder das Imagens






Julgar o concurso de fotografias Ocean Views demorou horas. Não foi por indecisão, mas por estas imagens extraordinárias que farão você parar em seu caminho ou voltar e olhar de novo. A experiência foi como ler um atlas visual, global, do mar. A amplitude geográfica das imagens do concurso é surpreendente. Lugares que já foram difíceis-de-se-chegar são agora destinos comuns, que atraem fotógrafos curiosos e ambiciosos com um apetite para melhorar seus portfolios. Lugares verdadeiramente remotos e "limites do inexplorado" não são mais de domínio exclusivo de profissionais experientes que contam com o apoio de patrocínios de revistas. Se você pode encontra-lo no mapa, você pode chegar lá, tirar fotos e trazer de volta um conjunto de imagens que aguçam as veias criativas de outros para irem mais longe, experimentarem, explorarem e criarem.

A produção de imagens subaquáticas ultrapassa novos limites em quase todas as publicações que eu vejo. Não existe um único expert ou melhor fotógrafo ou fotografo super-herói que acerta em todas as imagens. Eu odeio as palavras "melhor", "mais" e "lenda", que de alguma forma são aplicadas a fotógrafos quando eles estão por ai a tempo suficiente para ganhar um título. Olhando as imagens deste concurso eu vejo imagens que poderiam ganhar uma capa, tornar-se icônicas e ter o poder de criar mudanças. Nós estamos todos nadando por aí com câmeras, fazendo uso de curiosidade, paixão, ambição, talento e tecnologia. O concurso de fotos Ocean Views é uma coleção de paixões e ambições que se traduzem em um coletivo que pode fazer sua cabeça girar. Eu gosto de olhar imagens que me fazem querer ir lá — que me motivam. Diversas imagens neste concurso me motivaram, chamaram a minha atenção e me fizeram fazer perguntas. Isso é o que boas imagens fazem.

Em todas as categorias eu vejo uma combinação de talento e tecnologia em ação. Eu vejo fotografias feitas com câmeras automáticas simples que poderiam ser capas de revistas. Eu vejo ambientes que não ficariam bons em filme ISO 400 mas que ganham vida e ficam elétricos em digital. A tecnologia dos sensores transformou novos fotógrafos em bons fotógrafos e bons fotógrafos em ótimos fotógrafos. Historicamente, em um trabalho típico para a National Geographic eu costumava levar 500 rolos de filme, oito caixas estanque, oito câmeras e 16 lentes diferentes e um conjunto de reservas. As taxas de excesso de bagagem eram horripilantes. Todas as oito câmeras entravam na água e saiam com um máximo de 288 fotos no total. Eu não veria o filme por três meses. Hoje posso ver as imagens em milissegundos e tomar decisões sobre elas. Hoje aprendemos com nossos erros instantaneamente — não apenas com nossos triunfos únicos. O retorno imediato mudou o jogo para todos nós. Ele elevou os padrões para novos patamares tecnológicos, mas a verdadeira criatividade ainda pertence ao cérebro e olho do indivíduo.

Nosso QI fotográfico quintuplicou em uma década; as imagens são mais fortes, dizem mais e são mais sofisticadas. Uma imagem tem dois segundos para atrair a atenção de um espectador, mas ela tem que ter mais do que um tema forte. Ela tem que ter o contorno elusivo da arte. Assim como a música, as fotos são uma linguagem universal que todos entendemos. Elas tem o poder de reverenciar, humilhar, convencer os não convencidos, e elas tem o poder de criar mudanças.

Continuem fotografando,
David Doubilet
Veja Mais
Ocean Views 2014 Galeria das Vencedoras
Ocean Views 2014 Galeria Bônus


© Alert Diver — 2º Trimestre 2014
Language: EnglishSpanish