O Lado Escuro do Sol

Trabalhando com a fonte de iluminação mais poderosa de todas


Um peixe-leão caça a 15 metros próximo a Komodo. Os corais no topo do recife bloquearam a maior parte do sul do meio dia, o que evitou que a parte de cima da imagem ficasse muito intensa com um sol superexposto.

Eu estava prestes a começar a minha subida quando percebi que estava sendo observado. Eu olhei a minha volta, e finalmente localizei meu observador 8 metros acima de mim. Um leão marinho da Califórnia piscou para mim da superfície, seu formato lustroso perfeitamente delineado pelo sol. Justo quando eu estava levantando minha câmera, o leão marinho abruptamente veio em minha direção, com sua boca completamente aberta.

Eu podia ouvir a animação dos mergulhadores próximos a mim através de seus reguladores enquanto eu apertava o obturador. O leão marinho nadou para longe, e eu subi no barco em meio a exclamações de alegria e pedidos para ver minhas imagens. Enquanto eu passava as imagens, no entanto, entristeci. Ao Invés das fotos que eu havia imaginado — um leão marinho defensivo margeado por raios de sol bem definidos — a imagem que eu tinha tirado parecia uma bola branca de morte margeada por um horroroso halo de água. Havia mesmo um leão marinho no meio daquela esfera de luz intensa?

Instantaneamente eu soube o que havia feito errado: os ajustes de exposição da minha câmera, tão perfeitos para as imagens anteriores que eu havia feito com o sol nas minhas costas, não haviam sido ajustadas para fotografar contra ao sol. Que humilhante. Eu me virei para os outros mergulhadores e balancei a cabeça humildemente enquanto suas risadas compassivas ecoavam ao meu redor. Eu descobri que estava em boa companhia; durante toda a viagem de volta ao porto os outros fotógrafos me regalaram com histórias parecidas de oportunidades perdidas.
O Lado Ensolarado da Fotografia Digital
Abra qualquer livro ou revista de mergulho, e existe uma boa chance de você encontrar referências a e fotos do sol. Os raios sendo filtrados através da água, uma criatura incrível com a silhueta ressaltada pelo sol, luz penetrando na entrada de uma gruta: Todas são dignas de entusiasmo, e todas têm mergulhadores que carregam câmeras frustrados.

Partículas na coluna de água e um sol de tarde criaram um efeito de estrela com raios de sol bem definidos acima dessa água viva a 3m de profundidade nas Ilhas Salomão.
Encontrar e capturar esses lindos raios de sol requer paciência, esforço e sorte. Mesmo se os seus ajustes da câmera estiverem corretos, highlights cortados, formação de bandas ou perda geral de detalhes podem facilmente estragar suas fotografias.

O filme era melhor para registrar contrastes e detalhes de cor sutís do que a maioria dos sensores, portanto um sol apropriadamente exposto tinha mais possibilidade de gerar um resultado agradável. Entretanto, a maioria dos fotógrafos já fez há muito tempo a transição para a fotografia digital, e nós aprendemos a fazer os ajustes da velha para a nova media. Os sensores digitais estão constantemente melhorando, e as câmeras digitais oferecem várias ferramentas para ajudar os fotógrafos a aproveitarem ao máximo cada oportunidade.

Tirar fotos no formato RAW assegura a retenção da latitude de exposição para cada arquivo de imagem. Rever as imagens e histogramas ao longo de cada mergulho oferece constantes oportunidades de ajustar a definição de exposição, e bracketing (tirar várias fotos em sequência com exposições ligeiramente diferentes) proporciona uma rede de segurança digital para minimizar as chances de problemas com a exposição.
Raios de Sol e Efeito de Estrela
Se você já passou uma longa parada de segurança hipnotizado pelos efeitos do sol de final de tarde conforme ele bate na água rasa, você está familiarizado com raios de sol rasos — também comumente chamados de "Raios de Deus" ou luz colorida. A água é muito mais densa do que o ar, então enquanto parte da energia da luz solar é refletida na interface água-ar, os raios que penetram na água sofrem refração e dispersão. Dependendo da hora do dia e das condições da superfície, nós podemos na realidade ver feixes de luz definidos e dourados na coluna de água.


Os raios de sol do meio dia aqui parecem convergir em um ponto abaixo da cabeça da baleia azul, uma ilusão de ótica que destaca o tema da foto.


Embora a explicação ótica pareça simples, esse lindo efeito de luz exige um conjunto muito particular de circunstâncias que não são encontradas em todo mergulho. Primeiro, quanto mais fundo você for, mais a energia luminosa é difusa, portanto o efeito de "feixe" ocorre principalmente em águas rasas. Segundo, se há uma ondulação na superfície da água a luz do sol fica mais difusa, o que pode impedir a formação de feixes distintos. Terceiro, partículas na coluna de água, um incomodo em muitas outras situações de fotografia, na verdade ajudam a definir os raios de sol. Finalmente, o momento certo tem um papel importante na captura desse efeito. Esse fenômeno é mais provável quando o sol está baixo no céu; portanto alguns fotógrafos podem planejar mergulhos no início da manhã ou no final da tarde para tentar capturar esse efeito.

Muitos dos princípios para observar e fotografar efeitos de estrela com raios definidos são os mesmos para raios de sol rasos. Os fatores mais importantes incluem águas rasas que contenham um pouco de matéria particulada, superfícies calmas e sol baixo. Águas mais profundas ou horários diferentes do dia podem apresentar um sol redondo com características visuais diferentes, mas isso não é um elemento composicional menos interessante.
Preparando-se para o Sucesso com Raios de Sol
Seja fotografando raios de sol ou o sol redondo, você provavelmente precisa limitar a quantidade de luz que chega ao seu sensor. A ferramenta mais poderosa em sua câmera para evitar que o sol fique mais parecido com um borrão é a velocidade do obturador. Se você estiver usando flashes, configure seu obturador para a maior velocidade que permita a sincronização com o flash (1/160 seg. a 1/320 seg. na maioria das câmeras). Se sua foto ainda parece superexposta e seu ISO é o menor possível (100 na maioria das câmeras), então tente diminuir o tamanho de sua abertura para reduzir o tamanho do sol. Observe que o ajuste do ISO e da abertura irá afetar o seu primeiro plano — um assunto complicado abordado mais adiante em mais detalhe.

Uma tática

Com a parte mais brilhante do sol do meio dia cuidadosamente escondida, as partículas na água ajudaram a criar raios de sol bem definidos com esse cardume de peixes nas Ilhas do Canal.
comum para compensar um sol forte é a sub exposição extrema. Embora essa abordagem ajude a abrandar o brilho do seu sol e possa resultar em imagens interessantes, com grande contraste, ela às vezes faz isso às custas da captura da verdadeira cor da água, tornando ricos azuis e verdes em quase pretos na periferia da imagem.

Infelizmente, existem algumas ocasiões nas quais fotografar em direção ao sol simplesmente não irá produzir uma imagem aceitável. Em águas muito transparentes, rasas, no meio do dia, por exemplo, a probabilidade maior é de que seu sol vá se parecer com um borrão esbranquiçado com halos periféricos ciano-aquosos — não importa as configurações que você tenha escolhido para sua câmera. Uma técnica popular eficiente é usar estruturas de recife ou de naufrágio, animais marinhos ou a silhueta de mergulhadores para bloquear a maior parte do sol. Outra é ajustar sua composição para incluir apenas a borda do sol ou seus raios. Uma opção final pode ser aplicada depois do mergulho: Se você tirou uma foto que inadvertidamente ou inevitavelmente contenha um sol superexposto, um pouco de criatividade no corte da imagem pode permitir que você recupere uma imagem que de outra forma seria irrecuperável.

Se você está sobre águas profundas e transparentes, existe uma outra maneira de incorporar o sol em sua imagem em condições de muita luminosidade: tire a foto em um ângulo inclinado para baixo com o sol atrás de você. Os raios irão parecer às vezes convergir para um ponto abaixo de você, criando um efeito óptico de perspectiva que pode adicionar componentes criativos às imagens, em especial fotografias de animais marinhos pelágicos. Como você não está fotografando contra o sol, essa técnica é mais maleável em termos de configurações, embora altas velocidades do obturador ainda possam ser necessárias para congelar os feixes de luz e capturar imagens em foco de seus modelos principais.
Luz de Catedral
Em fotografia, existem confusas exceções às regras. A luz de catedral se refere aos feixes de luz solar em foco que você consegue ver dentro de naufrágios e cavernas ou ao lado de animais ou plantas marinhas acima de você. Porque esse efeito é visto contra panos de fundo escuros ou sombreados, raios demarcados são visíveis em águas relativamente mais profundas. Além disso, porque esses raios são vistos quando o sol penetra através de fendas na estrutura de fundo, eles precisam de um sol brilhante em um ângulo específico. O meio dia pode ser o melhor horario para capturar esse efeito em uma floresta de kelp, mas uma abertura de caverna virada para leste pode funcionar melhor com uma luz matinal.


Não apenas esse tubarão galha branca oceânico é um tema interessante, mas ele também cobre o sol forte do meio dia, evitando um sol estourado.


Como o fundo de muitos desses cenários é escuro, sua configuração da exposição pode ser diferente de quando fotografa raios de sol durante mergulhos em recifes rasos. Uma alta velocidade de obturador irá ajudar a congelar os feixes de luz, mas se for muito rápido sua imagem não mostrará os detalhes da estrutura adjacente. Nesse caso, um pouco de experimentação irá ajudar a afinar o equilíbrio entre raios de sol bem definidos, detalhes e cores da água visíveis. Medir a luminosidade na água e ajustar suas configurações de acordo pode ser um bom começo. Ou você pode simplesmente fazer exposições com um ponto acima e abaixo. Uma tela digital de LCD irá revelar um bom ponto aproximado para começar, e exposições com aberturas acima e abaixo são boas garantias da melhor imagem RAW possível.
Considerações sobre o Primeiro Plano

Essa imagem de um recife e um mergulhador próximo à Fiji foi tirada a 25 metros de profundidade, então o sol parece uma bola levemente definida.
Quando você incorpora temas em primeiro plano iluminados por flash, fotografar contra o sol pode ser complicado. Nós mencionamos que em condições de muita luminosidade normalmente é necessário ajustar as configurações da câmera para limitar a quantidade de luz que chega ao sensor da sua câmera. Aumentar a velocidade do obturador é uma maneira de diminuir a exposição de fundo, mas quando você está fotografando com um flash que ilumina o tema em primeiro plano, seus ajustes são limitados pela velocidade máxima de sincronização da sua câmera. Quando você começa a diminuir seu ISO ou o tamanho da abertura, assumindo que a sua luz do flash permaneça constante, você também está diminuindo a exposição de tudo que está no fundo. Quando você altera qualquer um desses parâmetros para a luz ambiente, você deve simultaneamente ajustar a saída de seu flash de acordo, ou através das configurações de potência do seu flash ou da distância flash-objeto.

Para o ISO um bom começo é dobrar a potência do seu flash cada vez que você reduz seu ISO, por exemplo, se você estiver fotografando com um ISO 200 com seu flash a 1/4 da potência, então diminuir seu ISO para 100 deve permitir que você aumente a intensidade de seu flash para 1/2 potência. Sem dúvida, esse processo racional se baseia em um entendimento básico das inter-relações entre ISO, abertura e potência do flash, mas sua habilidade nessa técnica será acelerada usando uma abordagem de tentativa e erro que incorpore uma revisão cuidadosa das imagens e histogramas ao longo de seu mergulho.

Mesmo o flash mais potente produz uma quantidade limitada de luz, que é fraca em comparação com o sol. Se você não conseguir iluminar adequadamente seu tema em primeiro plano, você pode ter que ajustar suas expectativas mais rigorosamente do que as configurações de sua câmera. Escolher temas menores, por exemplo, como ramos individuais de corais moles ao invés de cabeços cobertos de corais, irá permitir que você se aproxime, o que aumentará a intensidade luminosa potencial em seu tema. Temas com cores claras ou refletivos também exigem menos potência do flash do que temas com cores escuras ou que absorvam luminosidade.

Se tudo isso falhar, ainda resta um truque criativo: a silhueta. Ao utilizar um tema não iluminado para bloquear o sol, você pode só com isso diminuir as limitações da velocidade de sincronização do flash — e potencialmente temas em primeiro plano expostos de forma inadequada. Para silhuetas é melhor escolher temas com formas definidas, como mergulhadores ou animais marinhos grandes e icônicos. Com sorte, a silhueta se torna um elemento composicional importante, permitindo que você aproveite completamente os raios de sol.

© Alert Diver — 4º Trimestre 2014

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