Looe Key

Uma jóia de Florida Keys


Esponjas e corais coloridos enfeitam o Adolphus Busch Sr., um dos nove naufrágios do Florida Keys Wreck Trek (Rota dos Naufrágios de Flórida Keys).



Depois de uma semana mergulhando nas Upper Keys da Flórida em condições de mar agitado, ficamos animados com uma previsão de ventos menores e mares mais calmos. O momento era perfeito para uma viagem mais ao sul através de Marathon e sobre a ponte Seven Mile passando pelo Parque Estadual Bahia Honda até Big Pine Key. As águas turquesa e o céu azul lá são infinitos, e a vida desacelera para um ritmo verdadeiramente das Keys.

Na manhã seguinte fizemos uma viagem de barco de 30 minutos para sul até Looe Key. Como o primeiro barco a chegar lá, pudemos escolher nossa poita permanente e selecionamos uma na extremidade oeste do recife. Ficamos surpresos com as condições e observações iniciais – um tubarão de recife passando, um mero residente de 200 kg na sombra abaixo do barco e uma visibilidade de 30m. Foi um excelente começo para um dos melhores mergulhos que já fizemos em Flórida Keys.

Looe Key é um recife do tipo "spur-and-groove" com protuberâncias que se estendem em direção ao mar, separadas por canais de areia branca. Localizada a 6 milhas da costa de Big Pine Key e Ramrod Key, Looe Key está completamente submersa; as profundidades variam entre 2m e 9m. O recife é raso, mas isso não impede a visita de vida marinha grande como tubarões recifais, raias chita, meros e grandes barracudas.


Os mergulhadores são frequentemente recebidos por grandes meros que
esperam nas sombras dos barcos de mergulho.
Looe Key se tornou um Santuário Marinho Nacional em 1981, seguindo os passos do Santuário Marinho Nacional de Key Largo que foi estabelecido em 1975. As duas áreas foram incorporadas ao Santuário Marinho Nacional de Flórida Keys, projetado em 1990. A Looe Key Existing Management Area cobre 5,3 milhas náuticas quadradas e inclui a Looe Key Sanctuary Preservation Area (SPA) e a Looe Key Special-Use Research-Only Area. A designação de santuário restringe a pesca submarina, pesca de lagostas e de peixes tropicais e oferece outras proteções para o recife. A área restrita à pesquisa é interditada ao público, oferecendo aos cientistas um ambiente controlado para o estudo dos impactos das mudanças ambientais comparado à área de uso humano.

Uma boa visibilidade nunca é garantida, mas as condições foram espetaculares durante nossa visita. As protuberâncias de corais tornam a navegação no local fácil. As partes rasas são cobertas por gorgônias e corais moles que balançam em movimentos sincronizados com o movimento do mar. Em áreas mais profundas existem corais chifre-de-alce protegendo cardumes de cambuba. Esses corais delicados, ameaçados de extinção são suscetíveis a doenças e a estresse por temperatura. Os corais prosperam em uma estreita faixa de temperatura, e o branqueamento de corais pode ocorrer em caso de temperaturas continuamente fora desta faixa. Recifes rasos no mundo todo, incluindo Looe Key e outras Keys da Flórida, são particularmente susceptíveis ao aquecimento por temperaturas ambientais mais elevadas. Encontramos corais chifre-de-veado transplantados de berçários juntamente com corais estrela, cérebro e de fogo assim como corais pilar pequenos porém intactos.


Um trio de raias patrulha graciosamente o recife logo acima do coral.


O recife é o lar de mais de 150 espécies de peixes. Garoupas e budiões são clientes frequentes das muitas estações de limpeza. Grandes cardumes de sargentos, enxadas, guarajubas e budiões-roxo passam pelo recife. Os habitantes parecem acostumados com os mergulhadores, o que é um dos prazeres de se mergulhar em uma área marinha protegida. O ponto alto do dia foi um trio de raias chita planando majestosamente sobre o coral.

Terminamos o dia com um passeio de snorkel até o American Shoal Lighthouse. O farol de 33m de altura, terminado em 1880, fica no meio do santuário. Próximo à costa de Sugarloaf Key, o American Shoal está erguido em 1,5m de água e foi o último de seis faróis construídos em Flórida Keys para alertar os marinheiros sobre os recifes perigosamente rasos. Os pássaros locais, atualmente os únicos residentes, agregam-se sobre a estrutura para secar suas asas na brisa do mar. No fundo de areia e pedregulhos aos pés do farol encontramos os suspeitos habituais: barracudas e pequenos cardumes de cambubas, vermelhos e sargentos.


Cardumes de grunts amontoam-se embaixo de extensões de coral chifre-de-alce.
Para nossa próxima visita a Looe Key decidimos alugar um barco privado para explorar as áreas mais profundas do recife e os destroços do cargueiro Adolphus Busch, que foi afundado em 1998 entre Looe Key Reef e o American Shoal. O navio foi afundado dentro do Santuário Marinho Nacional de Flórida Keys, de maneira que não foi permitido o uso de explosivos pois o impacto poderia causar danos à vida marinha. Ao invés de explosivos foram feitos 12 buracos no navio acima da linha de água, e bombeou-se água para dentro do casco. O navio de 210 pés submergiu em 5 de dezembro, em posição de navegação perfeita a 33,5m de profundidade. Adolphus Bush IV, um mergulhador ávido e bisneto de um dos fundadores da Anheuser-Busch, doou $ 200,000 para ajudar a comprar, preparar e afundar a embarcação, que era então conhecida como Ocean Alley. O navio foi rebatizado de Adolphus Busch Sr. e é parte do Florida Keys Wreck Trek (Rota dos Naufrágios de Flórida Keys), uma série de nove naufrágios localizados entre Key Largo e Key West.

As condições estavam de novo excelentes, com águas tão claras que podíamos ver quase o navio inteiro a partir da boia de amarração. Tínhamos o Busch só para nós, e a descida a partir da boia de amarração foi fácil com muito pouca corrente. A vida marinha era tímida, e os três meros residentes se mantiveram a distância, observando-nos com cautela. Um cardume de barracudas manteve seus olhos em nós atentamente conforme nos aproximávamos do naufrágio. Um cardume de sernambiguaras patrulhava a casa do leme aos 20 metros de profundidade. Dois peixes-leão declararam-se capitão e primeiro imediato e foram dois de poucos indivíduos dessa espécie invasora que vimos em todos os nossos mergulhos. No verão o naufrágio fica cheio de silversides conforme as águas quentes da Corrente do Golfo se aproximam. Moreias, tubarões limão e cardumes de vermelhos frequentam o local. As vibrantes cores dos corais foram de certa forma silenciadas por uma camada de silte que recobria o naufrágio.


Um budião-roxo saindo de uma estação de limpeza.
A área do recife profundo possui um terreno de areia plano ligeiramente inclinado com profundidades entre 15 e 30 metros. As correntezas podem ser fortes no fundo. Dois tubarões recifais nos cumprimentaram, enquanto parus, cardumes de grunts e enxadas nadavam entre corais moles e grandes esponjas barril.

Nosso último mergulho do dia foi na extremidade leste de Looe Key, uma área onde o recife é mais dramático, com formações de corais mais escarpadas e bordas mais pronunciadas. Havia muitas barracudas, grandes budiões rabo-de-forquilha mastigavam o coral, e cardumes de caranhas e sargentos eram abundantes. Esse recife estava absolutamente incrível na luz de final de tarde.


Vida marinha grande, como tubarões recifais, são visitantes frequentes de Looe Key, mesmo no raso.


Alguns dias mais tarde mergulhamos com um dos operadores de mergulho locais. Infelizmente as lindas condições que havíamos vivenciado anteriormente haviam se deteriorado, e a visibilidade era de apenas 9 a 12 metros. Os mergulhos ainda assim foram agradáveis, e exploramos além das extremidades das saliências de corais nas áreas planas de areia cheias de esponjas barril gigantes e tivemos a sorte de presenciar a maravilhosa liberação de gametas das esponjas. Essa liberação de gametas pode ter contribuído para diminuir a visibilidade da água, mas foi inspirador observar a fecundidade do mar. Nosso retorno a costa foi um presente especial, pois desfrutamos de um encontro com um grande grupo de golfinhos nariz-de-garrafa alegremente surfando nas ondas produzidas pelo barco.

Quem estiver visitando as Flórida Keys não deve deixar de conhecer Looe Key. Um passeio cênico de carro de uma hora e meia para sul de Key Largo ou meia hora para norte de Key West o trará para esse paraíso de Lower Keys onde há mergulhos apropriados para todos os níveis de habilidade. Os recifes rasos e as areias claras oferecem uma iluminação maravilhosa para fotografias subaquáticas, e os encantadores corais e abundante vida marinha irão seduzir tantos os mergulhadores autônomos quanto os que fazem mergulho livre. É quase certeza que você será recebido por um dos grandes meros residentes, uma história de sucesso da conservação marinha.
Como Mergulhar Lá
Como Chegar Lá
Big Pine Key fica a 42 km ao norte do Aeroporto Internacional de Key West e a 32 km ao sul do Aeroporto de Florida Keys Marathon. Ônibus, taxis e aluguel de carros estão disponíveis nos dois aeroportos. Como normalmente acontece em Florida Keys, a maioria dos voos que chegam fazem conexão no Aeroporto Internacional de Miami (MIA), 214 km ao norte. Voar para Miami permite mergulhar em outros pontos do arquipélago durante a viagem para o sul. Se você tiver tempo, as ilhas têm uma diversidade de mergulhos. Operadoras de mergulho saem para Looe Key a partir de Big Pine e Ramrod Keys.





Condições
Há mergulhos o ano todo, embora o verão ofereça mares mais calmos, águas mais quentes e uma melhor visibilidade. O arquipélago de Flórida Keys tem um clima com um viés subtropical – muito quente no verão e brando no inverno. A temperatura do ar varia entre 24°C e 27°C no inverno e entre 29°C e 32°C no verão. A temperatura da água varia entre 22°C no inverno e 29°C no verão.

Aventuras na Superfície
A região de Lower Keys (Keys do sul) é o lar do Florida Keys National Wildlife Refuges Complex, que engloba 410.000 acres de terras e águas protegidas. O complexo é composto por quatro refúgios: Key West National Wildlife Refuge (NWR), Great White Heron NWR, Crocodile Lake NWR e National Key Deer Refuge.

O National Key Deer Refuge é o único habitat do veado das Keys. Ele é a menor subespécie do veado-de-cauda-branca da América do Norte, e está classificado federalmente como ameaçado. Mais facilmente avistado em Big Pine Key durante o amanhecer e o anoitecer, esses animais são altamente protegidos para garantir sua sobrevivência em seu habitat natural. Uma vez quase extinto, existem atualmente cerca de 1.000 indivíduos. Os limites de velocidade são agressivamente controlados em Big Pine Key, especificamente para proteger o veado das Keys de serem atropelados.

O Bahia Honda State Park, que frequentemente aparece nas listas das melhores 10 praias nos EUA, fica a 20 km ao sul de Marathon. O parque de 524 acres oferece possibilidades de passeios de barco, acampamento, caiaque, pesca e passeios de mergulho livre até Looe Key. O por-do-sol atrás dos pilares da ponte abandonada Bahia Honda Rail Bridge, um resquício da "Railroad that Went to Sea" de Henry Flager (a extensão até Key West da estrada de ferro da costa leste da Flórida) é um apreciado visual icônico das Keys.
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© Alert Diver — 4º Trimestre 2016

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