Fotógrafa: Zena Holloway






Zena Holloway evoluiu para se tornar uma das melhores fotógrafas subaquáticas comercias do mundo de uma forma tortuosa e não tradicional. Ela não viveu próximo ao mar quando criança e ela não aponta Jacques Cousteau como sua inspiração. Ela cresceu na Londres urbana até os oito anos de idade, quando ela foi para um colégio interno na zona rural pelos oito anos seguintes. Não muito disso sugeria sua futura profissão. Entretanto, haviam as histórias que sua mãe contava sobre seu pai. Embora ele tenha morrido quando ela era jovem, Holloway cresceu ouvindo histórias sobre como ele amava o mergulho, e ela decidiu que, ela também, devia tentar.

Aos 16 anos ela se matriculou em um curso de mergulho e quando ela terminou a escola aos 18 anos, ela foi mergulhar de férias no Mar Vermelho. Foi então que sua vida deu um mergulho sob as ondas. Ao final de suas férias ela não estava pronta para voltar para Londres, e conseguiu um emprego em um centro de mergulho e fez bicos para sobreviver. Ela se lembra de ser muito boa em "limpar o banheiro". Uma vantagem que ela tinha era ser inglesa onde a maioria dos comandantes e instrutores eram egípcios. Isso lhe deu a língua e o conhecimento cultural para trabalhar como hostess a bordo de barcos de mergulho que faziam saídas diárias.

O tempo que Holloway ficou no Egito lhe proporcionou algumas grandes experiências de mergulho, mas para fazer disso uma carreira ela precisava se tornar uma instrutora. Ela se matriculou em um Curso de Desenvolvimento de Instrutores em Sharm el Sheikh e, depois de se formar, conseguiu um emprego em Grand Cayman, primeiro no Red Sail Sports e depois no Bob Soto´s Diving, onde ela se tornou parte da equipe de três cinegrafistas que filmavam os turistas enquanto eles mergulhavam.

Depois de três anos ela decidiu que havia mais na vida do que produzir vídeos turísticos e, em 1995, voltou para Londres, onde o mercado de produção subaquática estava começando a nascer. Mike Portelly e outros estavam filmando e fotografando em piscinas locais, gerando trabalho suficiente para manter um assistente ocupado. Ela encontrou oportunidade e inspiração para desenvolver um portfólio de seu próprio trabalho, o que a levou a dois meses de trabalho no Uruguai para a National Geographic.

Em 2002 Holloway viajou para Ibiza, na Espanha, para fotografar a equipe inglesa de mergulho livre. Durante a filmagem ela teve dificuldade para se comunicar com os mergulhadores e teve que nadar para a superfície várias vezes para lhes dizer o que ela estava querendo. Embora ela não tenha ido a mais de 10 metros foi um longo dia de perfis em zigue zague e sem paradas de segurança. Após a filmagem ela teve alguns sintomas que a fizeram ficar preocupada que fosse doença descompressiva (DD). Ela bebeu água e tomou uma aspirina (não é o que a DAN® recomendaria), e, felizmente, seus sintomas desapareceram. Mas no decorrer desse susto com sua saúde ela descobriu que estava grávida. Seu pânico e pesquisas posteriores sobre os potenciais efeitos sobre o feto levaram a constatação de que a DD pode ser perigosa para o feto em desenvolvimento. Felizmente sua filha era uma criança normal e saudável, e Holloway continuou com sua carreira que envolvia fotografia em mar aberto e muito mais sessões de piscina dedicadas a dar vida à visão de diretores de arte.


Holloway a trabalho em New Providence, Bahamas, como os shark wranglers mergulhadores de segurança da Stuart Cove


Sua experiência na piscina foi refinada de uma forma bastante humilde. De 2005 a 2009 ela realizava turnês anuais do tipo "ganha pão" pelos EUA, visitando sete cidades em duas semanas, fotografando retratos subaquáticos de até 50 bebês por dia. Embora o negócio fosse bom no começo, o avanço da tecnologia digital e as câmaras subaquáticas cada vez mais acessíveis acabaram com a novidade do que ela oferecia, e a demanda pelo seu trabalho diminuiu.

A partir daí a carreira de Holloway se voltou para um gênero mais estilizado e comercial, envolvendo trabalho com diretores de arte, estilistas e modelos talentosos, todos trabalhando para criar vibrantes sets subaquáticos. Atualmente ela é uma das mais criativas e requisitadas produtoras de imagens subaquáticas de fantasia tanto em fotografias quanto em vídeo. Sua lista de clientes inclui Nike, Speedo, Umbro, Sony, Jacuzzi e também publicações como GQ, Observer Magazine e How To Spend It. Ela mora em Londres com seu marido e seus três filhos, Brooke, Willow e Woody.

Em deferência à sua necessidade de tirar fotos de alta qualidade e de fazer vídeos 4 K de alta qualidade, seu sistema subaquático principal é uma Canon EOS-1D em uma caixa estanque Seacam. Seu sistema de iluminação inclui estrobos subaquáticos Ikelite e uma variedade de luzes de estúdio acima da superfície, de acordo com o set e o conceito. Ela faz grande parte do trabalho de pós-produção ela mesma, mas muitas vezes prefere levar as imagens somente até conceitos preliminares antes de entrega-las para um artista digital para os refinamentos necessários para torna-las obras de arte acabadas.

Leia as histórias que Holloway conta por trás de algumas de suas imagens.

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"Essa imagem foi tirada no cenário subaquático em Pinewood Studios, no Reino Unido, no mesmo tanque usado para filmar as cenas subaquáticas de Missão: Impossível – Nação Secreta assim como para muitos filmes do James Bond. Eu tive a sorte de receber a incumbência de fotografar ali para a 125 magazine, e a 3D Agency em Londres criou essa incrível água viva para combinar com o tema futurista do ensaio. O orbe atrás do modelo é uma poderosa luz de fundo. O estilo requintado foi feito por Harris Elliot, e esse ensaio editorial levou diretamente a uma contrato para uma grande campanha para os vinhos Rosemount."

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"Em 2007 fui contratada para criar as ilustrações de fotos para uma releitura do livro clássico de Charles Kingsley de 1863 The Water-Babies: A Fairy Tale for a Land Baby. A versão que eu li, quando criança, era ilustrada com pinturas, mas essa releitura combinava minhas fotos com obras de arte da ilustradora Heidi Taylor para criar as fantasias extravagantes do livro.

"Eu me apaixonei pela fotografia Whale Calf de Sue Flood e fiquei encantada quando ela concordou em me deixar usá-la para o livro. Eu precisava fazer com que a criança se ajustasse à composição existente, então o fotografamos contra um fundo cinza de baixo da água, o que na verdade funcionou muito melhor do que eu esperava. Eu amo os pequenos pés enrugados da criança e os caranguejos brancos parasíticos sobre a baleia do original.




"A lontra não era tão doce quanto ela parece. Ela passou o ensaio fotográfico inteiro tentando pular na minha cabeça, e o seu fedor era incrível. Sério – eles precisaram arejar a piscina por dias depois que saímos. Fotografar a criança e a lontra em uma piscina foi a única maneira prática de coincidir a iluminação.


"Na história o personagem principal, Tom, encontra todos os tipos de criaturas subaquáticas incríveis; eu achei que a imagem do pregado ficou muito boa. Eu usei uma imagem comercial do peixe, e o desafio foi fazer com que a iluminação sobre o garoto coincidisse com a iluminação sobre o peixe. Uma vez que isso foi conseguido, ficou uma composição abençoadamente simples. "

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"Em 2008 os organizadores de um campeonato de mergulho livre me convidaram para tirar umas fotos. A competição aconteceu aos 100 metros de profundidade em águas azuis e foi organizada a partir de um navio-tanque ancorado ao largo da costa do Chipre. A visibilidade estava sensacional – o sonho de um fotógrafo. Mergulhadores livres estavam por todos os lados, mergulhando para cima e para baixo pelos cabos do barco. O mergulhador livre nessa imagem em particular chamou a minha atenção, pois ele parecia estar desfrutando da liberdade da água. Sua pose diz tudo. Na verdade, eu a tirei ao contrário, como uma horizontal com o sol no topo, e não foi até que eu a levei para a mesa de edição e a virei que ela se tornou a imagem que está aqui. Desde então ela foi impressa muitas vezes para paredes de colecionadores de arte."

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"Tirada em 1998 no Caribe essa imagem lançou a minha carreira. Eu ganhei alguns prêmios com ela, ela apareceu em várias capas de revistas, e foi vendida como uma bela foto artística. A boa sorte trazida por essa imagem é uma reviravolta engraçada: Eu não havia previsto que um cavalo pudesse se mover tão rapidamente na água e quase morri com um casco na cabeça enquanto fotografava. "

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"A Speedo tem sido um cliente leal para mim ao longo dos anos. Eles tendem a divulgar tipos semelhantes de anúncios estilizados a cada ano, e eu faço muitos trabalhos para eles. Esse modelo é Charlie Turner, que na época era um dos nadadores mais rápidos do Reino Unido e foi um grande modelo para a imagem. Todo o retoque foi concluído pela agência de publicidade em Londres, que assumiu esse lado das coisas depois que eu tinha terminado a sessão na piscina. Ás vezes eu faço meus próprios trabalhos de retoque e pós-produção no Photoshop, mas frequentemente os clientes preferem executar sua própria visão. Essa é uma das grandes diferenças entre o meu trabalho pessoal e os trabalhos comerciais. "

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"Essa imagem para o Greenpeace foi um trabalho emocionante da famosa agência de publicidade Saatchi & Saatchi, em Londres. Eles estavam lançando para o Greenpeace uma campanha de conservação marinha, e eu tive a sorte de pegar o trabalho. Infelizmente a imagem nunca foi usada, mas foi muito divertido para nós estar na água com os mergulhadores livres e tirar as fotos. O tubarão foi adicionado na pós-produção, mas a gaiola e os mergulhadores estavam na foto. A gaiola foi uma construção especialmente encomendada de alumínio que estava quase em tamanho real. Usamos um guindaste para colocá-la no mar a partir do convés de um grande navio. A última vez que eu ouvi, a gaiola estava sendo usada em uma boate no Chipre para uma dançarina dançar lá dentro."

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"Em 2005 eu viajei para Turks and Caicos para tirar uma série de imagens de sereias para um trabalho para a empresa de artigos sanitários Toto. Foi um dos trabalhos mais difíceis que eu já fiz. A tecnologia digital ainda estava em sua infância, e eu estava trabalhando com uma câmera com back digital da Phase One e um corpo médio formato Mamiya RZ67 em uma caixa estanque duvidosa. Foi um trabalho duro em águas abertas e condições climáticas terríveis. Mas nós sobrevivemos, o cliente ficou feliz e, contra todas as probabilidades, conseguimos as imagens."

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"No início de 2015 esse modelo do Reino Unido fez um breve mergulho de checkout em uma piscina rasa e logo depois se viu aos 10 metros de profundidade, compartilhando ar com um mergulhador de segurança e cercado por dezenas de tubarões nas Bahamas – e tudo isso sem máscara. Ele tinha trabalhado comigo muitas vezes antes em ensaios em apneia em piscinas, portanto eu sabia que ele era um modelo subaquático excelente. Eu não tinha certeza de como ele iria lidar com os tubarões ou com o mergulho autônomo. No final ele me deixou orgulhosa.

Enquanto estávamos relaxando antes de voar de volta para casa após o trabalho, eu de alguma forma, consegui convencê-lo a voltar para a água para fazer umas fotos de teste para mim na praia do hotel. Eu queria uma foto de ação, e entre algumas variações estava essa sequência de corrida, que ganhou vida quando eu adicionei o tubarão. Eu retornarei para as Bahamas esse verão para fazer um workshop de fotografia subaquática, onde eu pretendo fazer mais imagens como essa."
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Para ver mais do trabalho de Holloway, veja sua galeria de fotos bônus e visite ZenaHolloway.com.

© Alert Diver — 1º Trimestre 2016

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