O Envelhecimento e o Mergulho

Os médicos e pesquisadores da DAN respondem às suas perguntas sobre medicina do mergulho.

Tenho 79 anos de idade e sou saudável. Eu não mergulho há muitos anos e gostaria de voltar a fazê-lo. Existem recomendações, proibições ou limitações para um mergulhador da minha idade?

Observe


que a DAN® não é uma agência reguladora e não estabelece padrões ou diretrizes para a participação no mergulho. Qualquer limitação de aptidão ou idade que você encontrar será proveniente de agências de treinamento ou de operadoras de mergulho, não da DAN. A responsabilidade pela decisão de mergulhar ou não, normalmente é do indivíduo e seu médico. A decisão, entretanto, deve ser baseada nas informações médicas mais atualizadas disponíveis.

Muitas pessoas continuam a mergulhar aos 70 e 80 anos de idade, embora seu estilo de mergulho possa mudar ao longo do tempo. A chave para o mergulho seguro é a aptidão física, não a idade. Ou como algumas pessoas dizem "não é a idade, mas a quilometragem que conta". Um idoso atlético, com um bom condicionamento físico pode ser um melhor candidato ao mergulho do que uma pessoa de 25 anos com uma condição física ruim. Mas esse mesmo idoso nunca terá as mesmas capacidades atléticas de uma pessoa de 25 anos. Todos os tecidos – vasos sanguíneos, coração, pulmões, músculos, etc., - envelhecem.

Um exame cardíaco completo e um teste de estresse são prudentes e provavelmente as primeiras prioridades. Muitos cardiologistas familiarizados com a medicina do mergulho indicam um teste de estresse cardíaco com uma pontuação recomendada de 13 equivalentes metabólicos (METs), enquanto outros recomendam um mínimo de 10 METs. Qualquer um dos níveis é um exercício rigoroso. Embora a maioria dos mergulhos seja relaxante, uma corrente forte, um longo nado na superfície ou resgatar um dupla (ou você mesmo) requer um alto nível de tolerância ao exercício.

O conhecimento de condições médicas subjacentes é útil. As dores da artrite podem ser confundidas com doença descompressiva, portanto perfis conservadores são recomendados para qualquer pessoa que tenha esse problema. Além disso, mergulhar em locais com acesso razoável a cuidados médicos é prudente. Qualquer pessoa pode ter uma emergência médica ou acidente de mergulho, e a idade torna as emergências médicas mais prováveis. Um pequeno problema que ocorre em um local com um acesso razoável aos cuidados médicos pode ser tratado facilmente. O mesmo problema pode ser mais complicado em uma ilha remota ou em liveaboards que estão a horas ou dias de distância de cuidados médicos.

— Frances Smith, EMT-P, DMT


Eu sei que o nitrogênio não é metabolizado pelo corpo, e eu li que mergulhadores técnicos estão tendo problemas de DDs usando Hélio. O tamanho das moléculas é importante? As moléculas de Hélio são menores e mais leves do que as moléculas de oxigênio, enquanto as moléculas de nitrogênio são maiores. Algumas pessoas estão enchendo seus pneus do carro com nitrogênio porque supostamente elas vazam mais lentamente do que o ar.

Há momentos em que o tamanho é importante e outros em que é apenas uma falácia. Esse é um dos casos em que ele é um pouco dos dois. O nitrogênio é uma molécula um pouco maior do que o oxigênio (cerca de 2%), mas isso não tem nenhuma relação com sua reatividade no corpo. Uma analogia melhor seria como a madeira e o aço interagem com um imã. O aço reage, enquanto a madeira não.

Uma


molécula de hélio, por outro lado, tem um terço do tamanho de uma molécula de nitrogênio. O tamanho da molécula pode fazer diferença na passagem por algumas barreiras, mas quase certamente não é o único fator em sua natureza de absorção e eliminação ou narcótica com relação ao nitrogênio. Curiosamente, embora o hélio seja considerado um gás rápido em termos de trocas, ele pode causar desafios na descompressão, resultando na necessidade de mais margens de segurança nos limites com base nas expectativas de velocidade de troca. Você pode estar ouvindo mais sobre descompressão relacionada ao hélio em grande parte devido ao crescimento de sua utilização por mergulhadores técnicos recreativos. A ampliação do uso às vezes revela novas questões ainda não descobertas em um uso tradicional mais limitado.

Como eu gosto de dizer, a fisiologia não é igual à matemática. A fisiologia é muito mais dinâmica. Ideias aparentemente lógicas, como o tamanho ser um fator crítico, podem ser tentadoras, mas não respondem à questão. Fazer perguntas, entretanto, e ter um interesse constante em aprender são essenciais para se chegar mais próximo à verdade.

A propósito, não vale a pena pagar para encher seus pneus com nitrogênio.

— Neal W. Pollock, Ph.D.


Por que parece que as respostas que leio na Alert Diver ou na DAN.org são tão conservadoras? Vocês aconselham cautela com questões médicas com as quais eu nunca me preocuparia ao participar de outras atividades como esqui, tênis, basquete ou exercícios na academia. Parece que sua organização tem medo de que quaisquer pessoas, exceto as mais saudáveis, mergulhem.

Muitos


mergulhadores apresentam condições médicas e/ou tomam medicamentos e desfrutam do mergulho sem problemas. O papel da DAN é fornecer informações baseadas na literatura disponível e opiniões prevalecentes de especialistas em medicina do mergulho, não decidir quem pode ou quem é proibido de mergulhar. Nós aconselhamos mergulhadores (e mergulhadores em potencial) e seus médicos para que eles possam tomar decisões refletidas e informadas sobre o mergulho. Algumas vezes a DAN recomenda que mergulhadores ou potenciais mergulhadores sejam avaliados por um médico especialista em medicina do mergulho.

Existem perigos no ambiente de mergulho que não estão presentes na maioria das outras atividades recreativas. Se alguém que está jogando basquete sente tontura ou fica sem ar, ele ou ela pode parar a atividade e descansar. Se surge uma emergência médica, serviços médicos de emergência estão prontamente disponíveis. O mundo subaquático, entretanto, é implacável, e problemas podem aumentar o risco de afogamento. A falta de ar, por exemplo, nem sempre se resolve com o repouso quando estamos embaixo da água, devido ao aumento da resistência envolvida na respiração através de um regulador. É importante lembrar que quando mergulhamos estamos usando equipamentos de suporte de vida para explorar um ambiente que não é propício à sobrevivência humana.

— Scott Smith, EMT-P


Eu recentemente voltei de uma viagem de duas semanas em um liveaboard. Após sentir um pouco de enjoo inicial enquanto me adaptava ao movimento do barco, eu tive uma viagem maravilhosa. Ao final da viagem, entretanto, eu senti como se o cais estivesse balançando quando desembarcamos. Eu fiquei enjoado e quase vomitei. Essa sensação continuou por quase uma semana antes de se resolver. Por que isso aconteceu?

Embora não possamos dizer com certeza o que causou seus sintomas, você pode ter sofrido de uma condição conhecida por vários nomes, incluindo síndrome do desembarque ou síndrome do mal do desembarque (SMDD). Essa síndrome ocorre quando o cérebro, tendo se ajustado ou movimento constante do navio, essencialmente esquece-se de como lidar com uma superfície sólida sob seus pés. O corpo interpreta a sensação de estar em solo firme como desconhecida e anormal. O sistema vestibular, que controla o equilíbrio do corpo, fica desajustado e normalmente demora de algumas horas a alguns dias para se readaptar a estar em uma superfície que não se move. Alguns indivíduos, entretanto, relatam um tempo muito maior para a resolução. Nenhum teste consegue diagnosticar definitivamente a síndrome do desembarque; o diagnóstico é feito por exclusão de alternativas razoáveis.

Embora


os principais sintomas sejam uma sensação de balanço persistente e uma sensação de desequilíbrio, outros sintomas podem incluir tonturas, fadiga, enxaquecas, depressão, náuseas, dificuldade de concentração e confusão. Normalmente a condição é mais acentuada quando a pessoa está sentada ou deitada. Ao contrário da cinetose (mal do movimento), os sintomas da síndrome do desembarque podem melhorar com o movimento como caminhar ou andar em um veículo.

É impossível prever se um indivíduo sofrerá da síndrome do desembarque após um cruzeiro ou viagem. Aqueles que se adaptam rapidamente ao movimento do mar parecem ser mais susceptíveis. A síndrome do desembarque é mais comum em mulheres do que em homens, mas nenhuma ligação hormonal específica foi detectada. Para diminuir a probabilidade da síndrome do desembarque, tome medidas preventivas contra enjoo alguns dias antes de embarcar em um navio e continue a tomá-las por alguns dias após retornar à terra firme.

De acordo com a MdDS Balance Disorder Foundation, não há tratamento para a condição uma vez que ela normalmente desaparece por si só. Medicamentos contra o mal do movimento como meclizine ou a escopolamina não são eficazes contra o mal do desembarque. Por outro lado, clonazepam, benzodiazepinas ou amitriptilina podem ser benéficos. Além disso, a atividade física leve, como caminhar ou fazer ioga, tirar cochilos e, possivelmente acupuntura, podem ajudar a fortalecer o sistema vestibular.

Fontes adicionais de informação incluem o National Institutes of Health, a National Organization for Rare Disorders e a MdDs Balance Disorder Foundation.

— Frances Smith, EMT-P, DMT


Em um artigo recente da DAN sobre exercícios e mergulho, eu li o seguinte:

Acredita-se que a atividade física intensa – geralmente com força muscular e carga articular (aplicação de força nas articulações) importantes – aumenta transitoriamente a atividade dos micronúcleos, o presumido agente da formação de bolhas.
Esses micronúcleos são preexistentes? De onde veem os micronúcleos e como eles são formados ou criados?


O ponto de origem da formação de bolhas é um dos grandes mistérios da ciência do mergulho. Sabemos que as bolhas se formam em supersaturações de gás relativamente baixas, o que sugere alguma facilitação biológica do processo, mas ainda não temos as ferramentas de imagem para observar a formação inicial. Essa tecnologia virá, mas ainda não está disponível. Outros métodos para identificar os locais de formação também continuam a se desenvolver.

Os


micronúcleos podem compreender múltiplas estruturas. O que quer que sejam, eles são preexistentes, e sua ação de propiciar a formação de bolhas pode ser influenciada por eventos repentinos (particularmente pressurizações que agem como pré-requisitos para alterar a responsividade. Reações alteradas parecem ser transitórias, indicando um estado dinâmico ou uma substituição continua. Se você quer ver um micronúcleo em ação, observe um copo de cerveja. Você frequentemente consegue observar fileiras de bolhas se originarem em pontos aparentemente singulares na lateral do vidro. Esses pontos estão frequentemente associados a defeitos no vidro, na verdade pequenas fendas dentro das quais existem pontos de formação de micronúcleos. Acredita-se que os micronúcleos estejam alojados nas fissuras e façam sair bolha após bolha. Mesmo que isso não possa fornecer todas as respostas, pode ser um agradável entretenimento caso você goste de cerveja.

Em última análise, podemos ver as bolhas melhor no sistema vascular, e temos uma boa ideia de quando elas se desenvolvem e quais os efeitos que elas podem ter. Quando somos vagos sobre as especificidades da formação real, é um reconhecimento honesto de uma compreensão ainda por vir.

— Neal W. Pollock, Ph.D.

© Alert Diver — 2º Trimestre 2016

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