Validação de Computadores de Mergulho




Um EDGE das Indústrias ORCA entre uma variedade de computadores de mergulho modernos.

Os computadores de mergulho tiveram uma rápida evolução desde que o primeiro computador de mergulho moderno portátil (o EDGE das indústrias ORCA) se tornou comercialmente disponível em 1983. O aparecimento do computador de mergulho levantou questões sobre sua segurança, procedimentos de avaliação e diretrizes para uso. Devido a uma pequena quantidade de dados disponíveis sobre mergulhos repetitivos, havia uma preocupação sobre a capacidade dos computadores em gerir múltiplos mergulhos profundos.

Hoje em dia, a capacidade dos computadores em monitorar o tempo de descompressão e a velocidade de subida em tempo real é comprovada. E os computadores permitem uma flexibilidade cada vez maior: Eles permitem mergulhos de complexidade ilimitada enquanto proporcionam diretrizes para limitar os estresses descompressivos. Devido a esse aumento de flexibilidade, acredita-se que os mergulhos guiados por computador apresentam um maior risco de acarretar doença descompressiva (DD) do que os mergulhos definidos por tabelas de mergulho baseadas no mesmo algoritmo de descompressão.

Os cálculos feitos pelo computador utilizam a profundidade real do mergulho e não os arredondamentos para a profundidade seguinte mais funda feitos com o uso das tabelas, e os mergulhos repetitivos são baseados no modelo de descompressão completo (ex, todos os compartimentos de tecidos são considerados). A maioria das tabelas de mergulho usa apenas um dos compartimentos de tecido do modelo de descompressão para calcular os mergulhos repetitivos, o que aumenta a margem de segurança. Com os computadores de mergulho também existe o risco potencial de falha mecânica ou elétrica e de erro humano. Entretanto, baseado nas revisões dos dados existente sobre acidentes de mergulho, os computadores apresentam uma segurança aceitável independente do algoritmo que eles utilizem.
Validação
A validação dos computadores de mergulho consiste em vários passos, que incluem: 1) verificação de uma interface clara e não ambígua, considerações sobre a ergonomia e testes de estanqueidade rigorosos; 2) um procedimento para testar o modelo e algoritmos de descompressão (como nos testes de tabelas de descompressão); 3) confirmação das funções do computador em simulações; e 4) testes de campo.

Testes de computadores de mergulho usando seres humanos são raros; isso significa que a maior parte dos dados que corroboram a utilização dos computadores provém de evidências bem sucedidas de seu uso na prática. Entretanto, o fato dos computadores terem se mostrado seguros no seu uso pelos mergulhadores não significa que o algoritmo de descompressão seja seguro, pois a maioria dos mergulhos reais não forçam os limites dos algoritmos. A maneira mais simples de entender os benefícios operacionais de um computador de mergulho específico é simular mergulhos usando o software do computador e depois analisar os perfis gerados usando tabelas de mergulho validadas. Se os resultados forem muito semelhantes, os riscos de DD devem ser aproximadamente iguais.

Existe muito pouca informação sobre como diferentes modelos calculam a descompressão, e isso é visto muitas vezes como uma falta de segurança verificável. O problema é que não existem padrões específicos para computadores de mergulho que permitam a avaliação de sua segurança funcional. Estes padrões, aplicados aos computadores de mergulho como sistemas de segurança-crítica, garantiriam que o aparelho funciona de acordo com os requisitos e que, em caso de falha, não há riscos. É necessário um padrão de segurança consolidado para computadores de mergulho que utilize os requisitos essenciais de segurança e saúde do CE Marking Directives (uma série de padrões europeus de conformidade de produtos amplamente aceita)
Aplicabilidade de Algoritmos de Computadores de Mergulho
Modelos de computadores de mergulho utilizam versões mais conservadoras de tabelas de mergulho; eles fazem isso principalmente ao reduzir os níveis de supersaturação toleráveis. Apesar de ser óbvio que utilizar um modelo de descompressão fora de seus limites validados acarreta riscos, usar um modelo mesmo dentro de seus limites comprovados não garante a segurança. Não se pode esperar que um mergulho em multinível calculado como uma extensão da teoria dos compartimentos múltiplos (que foi validada utilizando-se dados de mergulhos de perfil simples) siga as mesmas regras.

Não há consenso entre os diferentes computadores com relação a mergulhos repetitivos com intervalos de superfície curtos (uma hora ou menos). Enquanto a maioria dos computadores trabalha com um modelo Haldaneano relativamente padrão, diferentes manipulações matemáticas são utilizadas para considerar o nitrogênio residual. Isso significa que o real impacto do nitrogênio residual não é totalmente entendido.

Para gerenciar os riscos de DD, os mergulhos são feitos de acordo com tempos de descompressão determinados por parâmetros que consideram a profundidade, tempo e o gás respirado. Estes tempos derivam de algoritmos que buscam limitar a formação de bolhas através de uma descompressão mais lenta, tipicamente através da interrupção da subida com paradas de descompressão que permitem que os tecidos tenham tempo de expelir os gases inertes. Muitos modelos de descompressão definem a DD como um evento mensurável, mas normalmente não é nada prático gastar tempo e dinheiro no grande número de mergulhos necessários para este tipo de validação, assim como também não é ético provocar uma DD.

Embolia venosa gasosa (EVG) normalmente ocorre junto com a DD, apesar de sua presença não apresentar uma relação direta com os sintomas clínicos. No entanto, a EVG é um indicador aceitável para medir o nível de estresse descompressivo ao qual o mergulhador foi exposto e, portanto, pode ser usada como ferramenta para ajudar no processo de validação.
Conclusões

Clareza de informações e conforto são importantes aspectos da validação de computadores de mergulho.
Vinte e nove anos de experiência com o uso de computadores de mergulho demonstraram que suas vantagens são maiores do que as suas desvantagens quando comparados com as tabelas de mergulho. O principal problema dos computadores de mergulho continua sendo seu mecanismo de análise de mergulhos repetitivos. A significante variação entre os computadores de mergulho significa que critérios de seleção devem ser estabelecidos para atender as necessidades específicas de comunidades de mergulho particulares. Um elemento importante desta abordagem é a criação de um universo, específico a cada comunidade, de perfis de mergulho "seguros" no qual o computador é eficaz. Isto pode ser conseguido através de um programa de monitoramento de mergulhos por computador. Tradicionalmente, os limites dos modelos de descompressão eram estabelecidos usando-se testes com seres humanos, mas isto não deve acontecer no caso da validação de computadores de mergulho devido ao tempo e custos envolvidos, assim como a infinita combinação de computadores de mergulho e ajustes possíveis.

Atualmente, a DD é o resultado negativo mensurável. Existe a necessidade de especificar um grau de risco de DD aceitável e definir um método para medir este risco. Também é necessário definir um campo de aplicabilidade para cada computador. Um computador de mergulho deve ser apoiado por um planejamento de mergulho, e a funcionalidade e a segurança do computador devem ser verificadas e documentadas. Para entender como o computador funciona, é necessário que o fabricante documente a lógica e as equações utilizadas.

Não há evidência de que mergulhos multiníveis realizados com computadores de mergulho apresentem maior risco do que mergulhos de perfis simples quando eles são avaliados pelo mesmo algoritmo. O risco de DD em mergulhos recreativos e científicos não descompressivos não é maior agora do que quando as tabelas eram prevalentes. Isso ocorre porque os computadores de mergulho não são levados aos limites de seus modelos e algoritmos de descompressão.

A validação dos computadores de mergulho deve incluir a especificação dos padrões de treinamento para os mergulhadores que usam o computador, análise completa para garantir que o computador atende a todos os requisitos para validação e monitoramento do desempenho operacional do computador.
Leitura recomendada
Para mais informações sobre validação de computadores de mergulho, leia: Blogg, S.L., M.A. Lang, and A. Møllerløkken, eds. Proceedings of the Validation of Dive Computers Workshop, 24 August 2011, Gdansk, Poland, pp. 93-97. Trondheim: European Underwater and Baromedical Society, 2012.


© Alert Diver — 1º Trimestre 2013

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