As Maldivas

Um novo olhar sobre um antigo favorito


O peixe-palhaço das Maldivas é endêmico do Sri Lanka e das Maldivas. As Maldivas são conhecidas pela abundância de pequenos e médios peixes de recife tropical, bem como pelas criaturas pelágicas maiores, como tubarões-baleia e raias manta.


A última vez que fui para as Maldivas foi em 2010. Embora tenha sido uma viagem maravilhosa, eu senti um irritante pontinho de culpa com relação a ela. Na extremidade sul de Ari Atoll há um lugar onde os tubarões-baleia vêm para se alimentar de plâncton. É também o local do desenvolvimento de um resort, e um bando de turistas pode ser encontrado lá a todo momento. As massas de mergulhadores livres que se reúnem para ver os poucos tubarões-baleia da vizinhança geram um pouco de confusão.


Em certas épocas do ano as mantas podem ser vistas em toda Maldivas.
No inverno, elas tendem a se reunir em estações de limpeza nos atóis do sul,
áreas bem conhecidas pelos operadores de mergulho.
Quando eu estava lá nadei para baixo para tirar uma foto de um ângulo ascendente, e quando era hora de subir eu tive dificuldade para encontrar um ponto na superfície sem humanos ou tubarões-baleia. Não me passou desapercebido que eu era parte do problema — tão culpado e frenético quanto o resto. No final eu me senti mal pelo tubarão-baleia, que teve que lidar com tanta interferência enquanto simplesmente tentava se alimentar.

Encontros garantidos com tubarão-baleia são uma das atrações icônicas das Maldivas, mas naquele dia eu decidi que na próxima vez que eu visitasse eu iria encontrar um itinerário que estivesse fora do comum. Felizmente, em um arquipélago de 1.192 ilhas em 26 atóis, há muitas opções.


Em algum momento do cruzeiro a maioria dos liveaboards faz um churrasco
na praia, completo com esculturas de areia.
Independentemente de onde você pretende ir nas Maldivas, sua primeira parada será o aeroporto internacional em Malé. De lá você irá para um liveaboard ou um resort em uma ilha. Uma nação soberana com 35.000 milhas quadradas, mas menos de 115 quilômetros quadrados de terra, será necessário um barco ou um hidroavião para chegar onde você quer ir.

Esta viagem foi um híbrido de novas (para mim) áreas ao norte e oportunidades de mergulho familiares no sul que são simplesmente boas demais para ignorar. Embora tenhamos embarcado em nosso liveaboard no início da tarde e pudéssemos ter feito o nosso mergulho de verificação no mesmo dia, optamos por navegar para norte, durante a noite enquanto nos instalávamos em nossas cabines, montávamos nossas câmeras e tínhamos a nossa primeira (de muitas) preleções de mergulho. Isso foi bom, porque nos permitiu que fossemos melhor informados sobre como a diversidade geográfica dessas ilhas deu origem a estruturas de recifes distintas e únicas e para que aprendêssemos sobre os desafios e oportunidades que cada um poderia apresentar.


Bluestripe snapper

O canal, ou "kandu", é uma fenda profunda na extremidade de um atol que conecta a lagoa interna ao oceano aberto. Esses canais apresentam correntes rápidas às vezes, conforme as marés movimentam enormes quantidades de água através dessas aberturas relativamente estreitas. É melhor mergulhar neles durante as marés de entrada, quando a água clara entra para a lagoa (e se um mergulhador for carregado além do pretendido, será para o abrigo da lagoa e não para o mar aberto). O nosso grupo de fotógrafos subaquáticos dedicados grunhiu audivelmente quando foi apresentada a possibilidade de mergulhar em correntes pesadas, já que elas tornam a composição difícil, mas nem todos os mergulhadores tem essa mesma preocupação, e mergulhar na corrente pode ser emocionante.

Um "faru" é um recife circular que vem do fundo do oceano dentro de um canal. Apresentando elevações e saliências onde a vida marinha se congrega, farus tendem a atrair a vida pelágica por causa de sua exposição às correntes.

Um "thila" é um recife raso dentro de um atol - como uma pequena montanha submarina que sobe de um fundo marinho de 6 ou 10 metros. Devido à influência das correntes de maré, uma abundância grande de corais e peixes pode ser encontrada em thilas. Mergulhar em thilas e farus é relativamente fácil, a maioria deles não tem corrente e é adequada para mergulho em multinível ou subidas prolongadas.
Os Mergulhos
Nossos primeiros mergulhos foram no Lhaviyani Atoll. Descemos em Fushifaru Kandu durante o estofo da maré, o que nos deu a oportunidade de navegar sem esforço pelo recife raso, mas a visibilidade da água estava pior do que estaria em uma maré enchente. Independentemente, a atração aqui foram cardumes de peixes recifais tropicais tão grandes que obscureciam a água.


Redtail butterflyfish são bastante comuns nas Maldivas, mas ver grandes cardumes deles é um presente especial.



Fiquei inicialmente surpreso ao encontrar uma grande congregação de redfish butterflyfish (Chaetodon collare), já que eu tinha esquecido o quão comuns eles são nas Maldivas. Nós os encontramos consistentemente em toda área coberta pelo cruzeiro, principalmente sozinhos ou em pares, mas nesse recife eles estavam presentes às dúzia. Também vimos grandes cardumes de bluestripe snappers em vários parcéis durante toda a viagem; aqui eles estavam misturados com schoolmaster snappers.


Em Turtle Cave dúzias de tartarugas verdes podem ser encontradas em um único mergulho.
Turtle Cave foi um ponto que fez jus ao seu nome. A tripulação nos avisou para esperarmos tartarugas marinhas verdes durante todo esse mergulho, mas eles realmente foram modestos. O local parecia bastante sem graça no início — apenas um recife inclinado com os habitantes normais do Indo-Pacifico. Mas então nós derivados para uma parte da parede com pequenas reentrâncias e saliências que devem ser muito atraentes para as tartarugas descansarem, porque elas estavam literalmente em toda parte. Eu não sei se vi 24 tartarugas ou a mesma dúzia duas vezes, mas era incrível o quão abundantes e tranquilas elas eram. Se eu não tivesse tirado nenhuma foto de tartaruga durante toda a viagem (embora eu tenha tirado, é claro), eu teria ficado alegremente saciado após esse mergulho. Depois que derivamos para for a dessa parte do recife, as coisas ficaram bem sem graça novamente. Mas nesse ponto, Turtle Cave foi de primeira linha para todos os padrões.


Batfish são residentes em Danbu Thila.
Nossa próxima parada foi Shaviyani Atoll. Em Danbu Thila o mais atraente foi uma grande congregação de batfish extraordinariamente amigável. Nós caímos na água e a primeira coisa que vimos foram batfish nadando em direção a nós em uma visibilidade cristalina. Eu creio que a maioria de nós maximizou nosso tempo de fundo aos 24 metros trabalhando no batfish só para tê-los nos seguindo até águas mais rasas aos 9 metros. Seu comportamento foi o mesmo durante todo o mergulho, mas os atraentes segundos planos do recife no raso ofereceram imagens ainda melhores. Se eu não tivesse tirado nenhuma foto de um batfish durante toda a viagem (embora, novamente, eu tenha tirado), eu teria ficado alegremente saciado após este mergulho, também.

Até nós mergulharmos em Eriyadhoo Beyru nós não tínhamos visto muito coral mole nos recifes do norte — eu tinha ficado até surpreso com a simplicidade da decoração nas paredes. O coral mole era denso, e era um segundo plano maravilhoso para fotos de peixe, mas eu tinha a ideia de que se eu fotografasse um mergulhador na frente desses corais moles e quisesse fazer os corais parecerem impressionantemente grandes, então eu precisaria reservar o Homem-Formiga como o modelo. Isso não diminuiu meu apreço pelo mergulho absolutamente bonito e produtivo, mas foi um daqueles pensamentos aleatórios que passaram pela minha mente durante a parada de segurança. Mais tarde, eu procurei por "coral mole nas Maldivas" e encontrei muitas fotos e vídeos contemporâneos de recifes cobertos por coral mole, então não vou projetar minha experiência nesse recife para a experiência submarina mais ampla das Maldivas. Nem o coral mole é a única atração aqui, os corais duros, particularmente a variedade chifre-de-veado, eram grandes e imaculados. O contraste dos peixes laranja entre os corais com ramificações douradas foi particularmente inspirador.

Em Raafushi Cave no Noonu Atoll, minha oportunidade de foto mais importante foi com uma moreia gigante em uma estação de limpeza. Um cardume de anthias laranja nadou perto da moreia — perigosamente perto, talvez, mas suponho que uma moreia tão grande pode ser bastante lenta em uma perseguição a uma ágil anthia. De qualquer forma, não vi nenhum sinal de que qualquer peixe estivesse preocupado em nadar perto da boca cavernosa da moreia.


Com anthias ao fundo em Noonu Atoll, uma moreia gigante boceja para a câmera.


No dia seguinte, no Atol de Raa, vi Nemo City na lousa da preleção. Já tendo mergulhado em muitos pontos chamados "Anemone City" ou algo semelhante, estou bastante dessensibilizado a tais nomes. Na verdade, eu tinha esquecido o nome do recife até que comecei a ver muitos aglomerados de anêmonas, muitas das quais estavam enroladas em seus mantos carmesim ou lavanda expostos e com o residente endêmico peixe-palhaço das Maldivas dentro. Era realmente muito bonito, e mais uma vez eu senti que o mergulho foi melhor do que eu esperava.

O Atol Baa é famoso pelas grandes agregações de raias-manta e tubarões-baleia que frequentam Hanifaru Bay entre julho e novembro de cada ano. Estando lá no dia dos namorados eu percebi que provavelmente não teria muito amor de manta, mas encontrei outras coisas interessantes. O mergulho que mais me tocou foi Horubadhoo Thila — os peixes lá foram especialmente amigáveis.


Um peixe-anjo-imperador atravessa o recife em Horubadhoo Thila.
Existem 32 áreas marinhas protegidas nas Maldivas. As extensões de recife que cobrem não são necessariamente grandes, mas os locais de mergulho dentro deles são especialmente vibrantes. Essas são áreas com restrição total a pesca, e porque os operadores de mergulho estão lá frequentemente, eles são auto-policiados. Aqui eu vi peixes-cirurgião sendo calmamente limpos e peixes-anjo-imperador nadando corajosamente em direção ao domo da minha câmera. Se eu já não tivesse sido informado sobre a condição de proteção desse recife, eu teria adivinhado pelo comportamento da vida marinha.

Com cinco dias de mergulho sob nossos cintos de lastro, fomos para o sul para alguns dos mais emblemáticos mergulhos da região. O primeiro estava em North Ari Atoll entre os tubarões de Rasdhoo Ridge. Aqui nós caímos no cume, que se erguia a 18 metros de profundidade, nos espalhamos e esperamos que os tubarões-cinzentos-dos-recifes nadando no azul se aproximassem de nós. Fomos aconselhados a não nadar em direção aos tubarões, já que isso tende a mantê-los afastados; felizmente, todos respeitaram rigidamente a instrução. O resultado foram tubarões que chegaram a 2 metros de nós e, ocasionalmente, a 1 metro. Não havia isca na água, apenas uma interação calma com uma bela espécie de tubarão.


Os tubarões-cinzentos-dos-recifes em Fish Head se beneficiam da condição de proteção local.


O dia começou com um mergulho eletrizante com tubarões e terminou com um mergulho noturno tranquilo em Maaya Thila. Elevando-se até uma profundidade de 7 metros, este thila era pequeno o bastante para ser circum-navegado um par de vezes durante um mergulho de 60 minutos. As mais importantes oportunidades fotográficas foram tartarugas dormindo, marbled rays, moréias nadando e peixes-leão.

Fish Head é outra reserva marinha, também em North Ari Atoll. O local recebeu seu nome em uma época em que os pescadores locais corriam o risco de puxar apenas uma cabeça de peixe para o barco, tão vorazes e abundantes eram os tubarões. Embora a área possa não ser tão infestada de tubarões como em outros tempos, ainda conseguimos nos empoleirar no topo de uma montanha rochosa a 18 metros de profundidade e ver uma meia dúzia de tubarões-cinzentos-dos-recifes passar de um lado para outro, cada vez mais perto conforme permanecíamos imóveis. Um enorme cardume de bluestripe snapper estava a 27 metros de profundidade, e se eu não estivesse relutante em interromper a ação dos tubarões com minhas bolhas, eu teria amado descer para o meio deles. Mas foi bom assim - no topo do recife em apenas 9 metros de água havia outro cardume. Uma vez que eu preenchi a foto com 100 peixes, realmente não importava que houvesse 500 em outro lugar.


Embora seja possível desfrutar de um encontro solitário com um tubarão-baleia nas Maldivas, em algumas áreas a sua previsibilidade atrai grupos de mergulhadores livres.


Nós tínhamos vindo em direção ao sul especificamente para ver raias -manta. Em certas épocas do ano as mantas são abundantes no norte também, mas estávamos em fevereiro, e a equipe de mergulho sabia que para interagir com as mantas nós teríamos sorte na estação de limpeza de mantas em North Ari Atoll. A primeira que tentamos foi em Himendhoo Rock. O plano era nadar até um cabeço de coral pequeno que hospedava os bodiões-limpadores que atraíam as mantas. Nós vimos um manta passar, mas apesar da frequência de sucesso que outros tiveram nesse local, bonitos peixes recifais tropicas era tudo que povoada minha imagem. Foi a mesma história em nosso segundo mergulho em Moofushi Rock: a visibilidade não estava boa, e a atividade de mantas estava escassa.


Um giant squirrelfish nada em Himendhoo Rock.
Isso mudou no dia seguinte em South Ari Atoll em Rangali Madivaru ("madivaru" significa "raio" na língua local, apropriadamente). Nadamos ao longo de um recife inclinado raso que apresentava uma incrível atividade de mantas — tanto em termos do número encontrado quanto da facilidade de aproximação. Todos que estavam na água tiveram maravilhosos encontros próximos com as raias e capturaram imagens com duas ou três na mesma foto. Como que para destacar o quão especial esse mergulho foi, o nosso segundo mergulho nesse local três horas mais tarde teve alguns encontros, mas nada como as ricas recompensas da manhã. Se a maré ou a corrente, ou o karma, foi o diferencial, o "relâmpago numa garrafa" daquele mergulho da manhã tinha sumido ao meio-dia.

A reprise de Maldivas foi um grande sucesso. Nós atingimos nossos objetivos. Encontramos as icônicas mantas no sul e aproveitamos nosso tempo no norte como sendo o único liveaboard no horizonte. Nós não conseguimos um encontro com um tubarão-baleia, mas no final das contas não nos importamos. Eu duvido que os tubarões-baleia tenham sentido muito a nossa falta também.

Cardumes de peixes coloridos são um ícone das Maldivas, como visto aqui em uma foto em grande angular.


Como Mergulhar Lá
Temperatura: Espere temperaturas do ar entre 26-30 ° C e temperaturas da água entre 28-30 ° C durante todo o ano. Uma roupa úmida de 3 mm geralmente é suficiente, mesmo para quatro mergulhos por dia.

Moeda:


Obtenha o suficiente de rufiyaa maldiva (MVR) para gorjetas e dinheiro de bolso. A maioria dos restaurantes, hotéis, empresas de aluguel de carros e lojas aceitam os principais cartões de crédito. Bancos aceitam dólares dos EUA de 2004 ou mais recentes e euros sem rasgos ou marcações.

Estações: A principal temporada de mergulho é de novembro a abril, embora o turismo de mergulho seja atualmente uma atração durante todo o ano.

Mergulho com Dhoni: A maioria dos liveaboards funcionam em caravana, com um dhoni tradicional, tipicamente um iate de 50 a 60 pés com motores a diesel que carrega os compressores de ar e nitrox e a maioria do equipamento de mergulho (embora não as câmeras fotográficas). Os hóspedes passam do navio-mãe para o estável e espaçoso dhoni (geralmente em águas calmas) para o transporte até o local de mergulho próximo.

Correntes: Cada mergulhador deve levar e saber como utilizar um sinalizador visual de superfície. Também são recomendados um sinalizador sonoro de ar comprimido pessoal, uma mini lanterna estroboscópica e um localizador de rádio ou GPS. A maioria dos mergulhadores carrega um gancho de recife também.

Álcool: O álcool é em geral proibido na República das Maldivas. Não há lojas de bebidas ou bares onde possa ser vendido ou consumido, e os turistas não podem trazer álcool ao país com eles. Todas as bagagens de entrada (incluindo bagagens de mão) são passadas pelo raio x e as autoridades confiscarão qualquer bebida alcoólica encontrada. Há uma exceção específica para operações turísticas licenciadas para clientes internacionais.

Profundidade: Por lei federal, os mergulhadores autônomos não podem mergulhar a uma profundidade maior do que 30 metros. Isso tende a não ser um problema porque o fundo do mar na maioria dos locais de mergulho tem aproximadamente essa profundidade.
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© Alert Diver — 2º Trimestre 2016

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